Mulher de 30 anos, sem comorbidades, com duas gestações anteriores e laqueadura tubária há um ano, comparece à UBS com queixa de dismenorreia intensa há dez anos, sendo tratada regularmente com analgésicos. O exame ginecológico é normal, mas a ressonância nuclear magnética de pelve demonstra espessamento de ligamento uterossacro direito, sugestivo de endometriose.
Pegadinha: laqueadura elimina desejo contraceptivo, mas não trata endometriose.
Progestagênio contínuo é primeira linha para controle da dor.
Agonista de GnRH fica para falha ou intolerância às opções iniciais e costuma exigir terapia complementar.
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Contexto
Dismenorreia intensa crônica com espessamento de ligamento uterossacro na ressonância sugere endometriose profunda. Na paciente sem desejo gestacional atual, o objetivo inicial é suprimir a atividade ovariana e reduzir inflamação e dor. A ESHRE 2022 recomenda contraceptivos hormonais ou progestagênios como terapias hormonais de primeira linha.
O dienogeste é progestagênio utilizado continuamente, habitualmente na dose de 2mg ao dia. Ele decidualiza e atrofia o tecido endometriótico, reduzindo dismenorreia e dor pélvica. O tratamento controla sintomas, mas não elimina definitivamente as lesões. A decisão entre tratamento clínico e cirurgia deve considerar intensidade da dor, comprometimento intestinal ou urinário, resposta aos fármacos e preferência da paciente.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Dienogeste contínuo é opção de primeira linha eficaz para dor associada à endometriose em mulher sem intenção imediata de engravidar.
B) Incorreta. Histerectomia não é tratamento inicial e pode não resolver a dor se persistirem lesões extrauterinas. Pode ser discutida em doença refratária, sem desejo reprodutivo e após aconselhamento.
C) Incorreta. Ooforectomia bilateral provoca menopausa cirúrgica aos 30 anos e traz repercussões ósseas, cardiovasculares e sexuais. Não é escolha inicial.
D) Incorreta. Agonista de GnRH é geralmente segunda linha por hipoestrogenismo, perda óssea e sintomas vasomotores. Quando usado por tempo prolongado, exige terapia de reposição complementar, não deve ser prescrito isoladamente de forma indiscriminada.