Lactente, de 1 ano e 6 meses, previamente hígida, iniciou quadro de evacuações líquidas há dois dias, apresentando cerca de dez episódios por dia. Seus pais referem vários casos de diarreia aguda na creche que ela frequenta e informam que ela não está se alimentando, recusando inclusive o leite materno. Além disso, notaram que, nas últimas 24 horas, ela está mais prostrada e praticamente não urinou. Ao exame físico, a paciente apresenta muita sonolência, mucosas muito secas, taquicardia importante, pulsos finos e perfusão capilar periférica lentificada (sete segundos).
Enchimento capilar muito lento, pulsos finos e oligúria significam choque, não apenas desidratação.
Choque hipovolêmico pede cristalóide isotônico venoso e reavaliação após cada bolus.
Antibiótico só entra quando há indicação etiológica, como disenteria, cólera suspeita ou sepse.
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Contexto
Sonolência intensa, mucosas muito secas, oligúria, taquicardia, pulsos finos e enchimento capilar de sete segundos indicam desidratação grave com choque hipovolêmico. A perda fecal reduz o volume circulante efetivo, comprometendo perfusão renal, cerebral e periférica. Nessa situação, a prioridade não é repor lentamente o déficit, mas restaurar imediatamente a circulação.
A conduta inicial é expansão com cristalóide isotônico por via venosa, como solução salina a 0,9% ou Ringer lactato, em bolus de cerca de 20 mL/kg com reavaliação frequente. O Plano C da OMS prevê reposição total de 100 mL/kg para desidratação grave, adaptada à idade e à resposta clínica. Assim que a perfusão melhorar e a criança puder receber líquidos, solução de reidratação oral deve complementar perdas contínuas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Sonda nasogástrica é alternativa quando a reidratação oral é necessária e a criança não consegue beber, mas não é a primeira via diante de choque com perfusão capilar de sete segundos.
B) Incorreta. Surto em creche sugere gastroenterite infecciosa, frequentemente viral, mas não demonstra etiologia bacteriana. Antibiótico não corrige choque e soro glicosado isolado não é solução adequada para expansão.
C) Incorreta. Os sinais são incompatíveis com desidratação leve. Sonolência, anúria ou oligúria, pulsos finos e hipoperfusão exigem atendimento hospitalar imediato.
D) Correta (gabarito). O diagnóstico é desidratação grave e a primeira etapa é expansão venosa com solução isotônica, seguida de reposição do déficit e das perdas em curso.