Homem de 45 anos, IMC de 30kg/m², com HAS e diabetes mellitus tipo 2 (DM²), em tratamento regular, usando enalapril, tiazídico e metformina, com controle adequado, comparece à consulta médica para avaliação de dor precordial iniciada há quatorze dias. Durante a consulta, paciente está sem dor e o ECG realizado não mostra alterações. A suspeita principal é de Angina pectoris clássica.
Pegadinha: ECG normal fora da dor não exclui angina estável.
Angina típica é constritiva, previsível ao esforço e breve, com melhora no repouso.
Diretrizes atuais preferem CCTA ou imagem funcional em muitos cenários, embora o teste ergométrico ainda tenha utilidade selecionada.
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Contexto
Angina típica possui três elementos: desconforto retroesternal constritivo, precipitação por esforço ou estresse emocional e alívio com repouso ou nitrato em poucos minutos. Dor com duração aproximada de cinco minutos, desencadeada por atividade e descrita como aperto ou constrição corresponde ao padrão clássico. B4 pode refletir ventrículo esquerdo menos complacente por hipertensão ou isquemia.
No referencial tradicional, paciente capaz de se exercitar e com ECG basal interpretável pode ser estratificado com teste ergométrico. O exame avalia sintomas, capacidade funcional, resposta pressórica, arritmias e alterações do ST. Um ECG de repouso normal não exclui doença coronariana.
Há divergência com a abordagem contemporânea. A Diretriz Europeia de Síndromes Coronarianas Crônicas de 2024 prioriza angiotomografia coronariana ou teste funcional com imagem como primeira investigação em muitos pacientes com probabilidade baixa a moderada, por maior acurácia. O teste ergométrico ainda pode ser utilizado quando imagem não está disponível ou para avaliação funcional selecionada. O gabarito C deve ser mantido por representar a estratégia clássica cobrada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Dor em pontada é menos típica, B3 sugere sobrecarga de volume ou disfunção ventricular, e angiografia invasiva não é primeira etapa em paciente estável sem critérios de alto risco.
B) Incorreta. Reprodução por digitopressão favorece origem musculoesquelética. Cintilografia pode ser indicada quando ECG ou capacidade de exercício limitam o teste simples, mas a descrição da dor não é anginosa.
C) Correta (gabarito). Dor constritiva aos esforços por cerca de cinco minutos é angina clássica, e prova de esforço é opção de estratificação no paciente capaz de exercitar-se e com ECG interpretável.
D) Incorreta. Dor em queimação agravada pela inspiração é pleurítica ou não coronariana. Angiotomografia pode ser excelente exame anatômico, mas não corrige a semiologia inadequada da alternativa.