Jovem de 25 anos, sem comorbidades, procura a atenção primária à saúde (APS) por cefaleia persistente. Relata início do quadro há cerca de um mês, com cefaleia hemicraniana à direita, diária, que atrapalha o seu sono e melhora parcialmente com uso de analgésicos comuns. Paciente apresenta fotofobia, fonofobia e náuseas, ocasionalmente, e nega vômitos, febre, alterações do estado mental ou turvação visual. O exame neurológico não apresenta alterações.
Pegadinha: náusea e fotofobia parecem graves, mas são características usuais da migrânea.
Despertar pelo sono, piora progressiva e papiledema exigem investigação secundária.
Exame neurológico normal reduz risco, mas não anula uma red flag verdadeira.
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Contexto
Fotofobia, fonofobia, náusea e dor hemicraniana sugerem migrânea, mas uma cefaleia nova, diária e progressiva há um mês precisa ser examinada à procura de causas secundárias. Sistemas como SNOOP10 valorizam início súbito, sintomas sistêmicos, déficit neurológico, papiledema, mudança de padrão, progressão, relação postural e precipitação por esforço ou Valsalva.
A característica cobrada como alarme é a interferência com o sono, sobretudo quando a dor desperta o paciente, surge ao acordar ou piora em decúbito, situações que podem acompanhar aumento da pressão intracraniana. A frase atrapalha o sono é menos específica que desperta do sono, mas, entre as alternativas, é o elemento que exige maior cautela. Fundoscopia, avaliação neurológica repetida e decisão sobre neuroimagem dependem da interpretação clínica completa.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Início aos 25 anos está dentro da faixa habitual das cefaleias primárias. Idade acima de 50 anos no primeiro episódio seria sinal de alarme mais forte.
B) Incorreta. Náusea é critério frequente de migrânea e, isoladamente, não aponta para causa secundária.
C) Correta (gabarito). Cefaleia que perturba ou desperta o sono pode indicar padrão de pressão intracraniana ou progressão e deve motivar avaliação dirigida para causas secundárias.
D) Incorreta. Dor hemicraniana é típica de migrânea e não constitui alarme por si só. Localização fixa com progressão e outros achados pode ganhar relevância, mas não é o dado discriminador apresentado.