Mulher de 39 anos procura cardiologista para realizar atividade física (caminhada na praia). Nega sintomas cardiovasculares, tabagismo, uso de drogas e diabetes, mas refere que seus pais faleceram de infarto aos 74 e 82 anos, respectivamente, no ano vigente. O exame físico encontra-se normal, com pressão arterial = 120 x 70mmHg, último LDL-colesterol = 120mg/dL, colesterol total = 190mg/dL e HDL = 60mg/dL. O médico informa que, para liberá-la para a atividade física, precisará solicitar um teste ergométrico (TE).
A pegadinha é achar que mais exame sempre torna exercício mais seguro.
Baixa prevalência da doença reduz o valor preditivo positivo e aumenta falsos positivos.
Caminhada leve em assintomática de baixo risco não exige teste ergométrico de rotina.
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Contexto
A probabilidade de um teste ser útil depende da probabilidade pré-teste. Esta mulher é assintomática, tem pressão normal, não fuma, não tem diabetes, apresenta perfil lipídico sem grande alteração e não possui história familiar de doença cardiovascular prematura, pois os infartos parentais ocorreram aos 74 e 82 anos. Seu risco cardiovascular absoluto em dez anos é muito baixo.
Em pessoa assintomática de baixo risco que deseja iniciar caminhada, teste ergométrico de rastreamento não melhora desfechos. Mesmo um exame com boa especificidade gera proporção relevante de falsos positivos quando a doença é rara no grupo avaliado. Isso pode desencadear ansiedade, restrição indevida de exercício, exames de imagem, procedimentos invasivos e custos sem benefício.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A solicitação é inadequada porque a probabilidade pré-teste é baixa; um resultado positivo teria maior chance de ser falso e poderia iniciar cascata diagnóstica desnecessária.
B) Incorreta. O risco não é intermediário. Além disso, reconhecer provável falso positivo contradiz a justificativa de que o teste protegeria a paciente.
C) Incorreta. A conduta é inadequada e o risco é baixo, mas um teste positivo nesse contexto não é provavelmente verdadeiro.
D) Incorreta. Superestima o risco global e o valor preditivo positivo do teste em assintomática.