A colestase intra-hepática da gravidez é a doença hepática mais comum ocorrida durante a gestação e está associada a desfechos obstétricos desfavoráveis.
Pegadinha: transaminase pode subir, mas quem prediz risco fetal é o ácido biliar.
Ácidos biliares iguais ou superiores a 100μmol/L marcam maior risco de natimorto.
Fosfatase alcalina elevada pode ser fisiológica na gravidez.
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Contexto
Colestase intra-hepática da gravidez manifesta-se com prurido, frequentemente palmoplantar e noturno, associado à elevação dos ácidos biliares séricos. Transaminases podem aumentar, mas o marcador que melhor estratifica o risco fetal é a concentração total de ácidos biliares.
O Consultório SMFM nº 53, de 2021, reconhece aumento relevante do risco de natimorto quando os ácidos biliares atingem 100μmol/L ou mais, além de maior risco de parto prematuro, mecônio e desconforto fetal. Valores abaixo de 100μmol/L ainda orientam vigilância e momento do parto, mas apresentam risco menor. Ácido ursodesoxicólico é primeira linha para aliviar sintomas maternos, embora não elimine completamente o risco fetal.
Fosfatase alcalina aumenta fisiologicamente pela produção placentária e tem baixa utilidade diagnóstica. Gama glutamiltransferase pode estar normal ou discretamente elevada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Gama glutamiltransferase não apresenta a melhor correlação com morte fetal ou definição do momento do parto.
B) Incorreta. Fosfatase alcalina perde especificidade na gestação porque a placenta produz uma isoenzima própria.
C) Correta (gabarito). Ácidos biliares confirmam a colestase e estratificam o risco fetal, especialmente no ponto de corte de 100μmol/L.
D) Incorreta. Ácido úrico é mais utilizado na avaliação de doença hipertensiva e função renal, não na colestase.