Menino de 4 anos apresenta diarreia sanguinolenta há quatro dias, com queda do estado geral, e encontra-se hipocorado +++/4. Ao hemograma, observa-se anemia (hemoglobina = 8mgdL) e, na observação das hemácias, identificam-se esquizócitos. Foi encontrada Escherichia coli na coprocultura.
Pegadinha: esquizócito indica hemólise mecânica microangiopática, não deficiência de ferro.
SHU típica: diarreia sanguinolenta, hemólise, plaquetopenia e lesão renal.
Evite antibiótico e antidiarreico quando houver suspeita de toxina Shiga.
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Contexto
Diarreia sanguinolenta seguida de anemia com esquizócitos sugere síndrome hemolítico-urêmica associada à toxina Shiga. A tríade é anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e lesão renal aguda. A toxina lesa o endotélio de pequenos vasos, especialmente glomerulares, formando microtrombos que fragmentam hemácias.
O Ministério da Saúde recomenda tratamento de suporte, com controle cuidadoso de líquidos e eletrólitos, pressão arterial, diurese, hemograma, plaquetas, bilirrubina, LDH, haptoglobina, ureia, creatinina e potássio. Antibióticos e antidiarreicos são evitados na suspeita de E. coli produtora de toxina Shiga porque podem aumentar liberação de toxina e risco renal. Diálise e transfusão são usadas conforme indicação clínica.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). É necessário acompanhar a hemólise microangiopática e a função renal, pois insuficiência renal, hipercalemia e sobrecarga volêmica determinam gravidade e necessidade de diálise.
B) Incorreta. Pressão arterial deve ser monitorada, mas corticosteroides não tratam a SHU típica pós-diarreica e não corrigem a lesão mediada por toxina Shiga.
C) Incorreta. A anemia é hemolítica, não ferropriva, tornando a cinética do ferro secundária. Antibiótico pode agravar o risco em infecção por cepa produtora de toxina.
D) Incorreta. Transaminases não são o eixo da síndrome, e AAS aumenta risco hemorrágico em paciente que provavelmente desenvolverá trombocitopenia.