Menina de 4 anos e 2 meses foi atendida com quadro de dor abdominal, disúria e polaciúria, sem febre. Foi realizado EAS que mostrou testes de nitrito e de esterase leucocitária positivos, além de 20 a 30 piócitos por campo. A cultura de urina foi colhida e está em andamento. A mãe informa que este é o terceiro episódio de infecção urinária, todos sem febre, e que o primeiro episódio ocorreu aos 3 anos e 5 meses. Ela também relata que o desfralde ocorreu por volta de 3 anos, mas que a criança ainda molha a calcinha durante o dia e que à noite dorme de fralda. Além disso, evacua com dificuldade, reclamando de dor, e tem escape fecal, sujando a calcinha três a quatro vezes por semana.
Pegadinha: constipação é causa urológica importante na criança.
ITU afebril recorrente mais escapes urinários e fecais aponta para disfunção vesical e intestinal.
Tratar intestino e hábitos miccionais reduz recorrência de ITU.
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Contexto
Infecções urinárias afebris recorrentes após o desfralde, incontinência urinária diurna, enurese, constipação dolorosa e escape fecal formam o quadro de disfunção vesical e intestinal. A retenção fecal comprime a bexiga, altera sensibilidade e esvaziamento, aumenta resíduo urinário e favorece crescimento bacteriano.
O tratamento exige abordagem conjunta: desimpactação quando necessária, manutenção com laxativo osmótico, ingestão adequada de fibras e líquidos, micções programadas a cada duas ou três horas, postura correta no vaso e tratamento da infecção confirmada. Corrigir apenas a bacteriúria sem tratar o intestino leva a recorrência.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Refluxo vesicoureteral pode causar ITU recorrente, sobretudo febril e pielonefrite, mas não explica de forma integrada constipação, escape fecal e perdas urinárias funcionais.
B) Incorreta. Imunodeficiência primária é sugerida por infecções graves, incomuns, persistentes ou em múltiplos sítios, não por cistites afebris ligadas ao desfralde e constipação.
C) Correta (gabarito). Sintomas urinários e intestinais coexistentes após aquisição do controle esfincteriano definem disfunção vesical e intestinal, principal fator modificável das recorrências.
D) Incorreta. Estenose da junção pieloureteral causa hidronefrose, dor abdominal ou em flanco e eventualmente ITU, mas não produz o padrão de incontinência e encoprese.