Adolescente de 12 anos é acompanhada no ambulatório de medicina de adolescentes por queixas alérgicas. Ela faz tratamento para rinite e asma, porém tem dificuldade de manter as medicações de uso crônico. Além disso, aos 5 anos, apresentou urticária ao ingerir amendoim e, desde então, mantém dieta isenta desse alimento por recomendação médica. Há dois dias, esteve em um jantar e, cerca de dez minutos após terminar de comer, iniciou rouquidão, dispneia, tosse e prurido associado a surgimento de urticas difusamente. Descobriu que o molho da carne que ingeriu continha amendoim e seus pais a levaram imediatamente ao serviço de emergência.
Pegadinha: anti-histamínico melhora urticária, mas não substitui adrenalina.
Anafilaxia pode começar em minutos e não exige hipotensão para o diagnóstico.
Asma mal controlada e múltiplas doses de adrenalina indicam maior risco e observação mais longa.
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Contexto
Rouquidão, dispneia, tosse e urticária difusa iniciadas dez minutos após ingestão de amendoim preenchem critérios clínicos de anafilaxia, pois há exposição provável seguida de comprometimento respiratório e cutâneo de início rápido. O tratamento de primeira linha é adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa, na dose de 0,01mg/kg da solução 1mg/mL, até 0,5mg por dose, repetível a cada 5 a 15 minutos.
Após estabilização, o tempo de observação deve ser individualizado. Reações graves, necessidade de múltiplas doses de adrenalina, asma mal controlada, acesso difícil a emergência e sintomas prolongados aumentam o risco e justificam observação mais longa. Reação bifásica é recorrência após resolução inicial sem nova exposição.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Atopia não causa automaticamente anafilaxia, mas asma, sobretudo mal controlada, associa-se a maior risco de comprometimento respiratório grave em reação alimentar.
B) Incorreta. Anafilaxia alimentar costuma começar em minutos a poucas horas. Início em dez minutos reforça, e não descarta, a relação causal.
C) Correta (gabarito). Anafilaxia pode recorrer de forma bifásica, e pacientes com fatores de risco devem permanecer em observação prolongada e receber plano de alta seguro.
D) Incorreta. Manter o paciente subitamente sentado ou em pé pode precipitar colapso circulatório. Na hipotensão, prefere-se decúbito dorsal com pernas elevadas; se houver dificuldade respiratória importante, ajusta-se a posição sem permitir que caminhe.