Homem de 20 anos iniciou, há sete dias, quadro com coriza hialina, lacrimejamento, hiperemia conjuntival e tosse discreta. Os episódios de tosse pioraram de forma acentuada, principalmente durante a madrugada, estando atualmente no décimo quarto dia do início do quadro. O paciente nega febre. O exame laboratorial revela hemoglobina = 13g/dL, leucócitos = 25.000/mm3, sendo 60% de linfócitos, e plaquetas = 250.000/mm3. A caderneta de vacinação da infância está completa.
Pegadinha: carteira vacinal completa não afasta coqueluche em adulto por queda da imunidade ao longo dos anos.
Fase catarral seguida de tosse paroxística noturna e linfocitose marcante aponta para coqueluche.
Macrolídeo reduz sobretudo a transmissibilidade; a tosse pode persistir por semanas apesar da erradicação bacteriana.
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Contexto
O quadro segue as fases clássicas da coqueluche. A fase catarral dura em geral uma a duas semanas e produz coriza, lacrimejamento, hiperemia conjuntival e tosse discreta. Em seguida surge a fase paroxística, com acessos de tosse progressivamente intensos, frequentemente noturnos, podendo ocorrer guincho inspiratório, vômito pós-tosse ou síncope. A ausência de febre alta ajuda a diferenciá-la de pneumonias e influenza.
A leucocitose de 25.000/mm3 com linfocitose absoluta é uma pista de alto rendimento para infecção por Bordetella pertussis. Vacinação infantil completa não exclui a doença porque a proteção diminui com o tempo. Segundo o CDC, o tratamento de pessoas com pelo menos um ano deve ser iniciado preferencialmente até três semanas após o começo da tosse. Macrolídeos, como azitromicina, claritromicina ou eritromicina, reduzem principalmente a transmissão e têm maior efeito sobre os sintomas quando usados precocemente.
Alternativa por alternativa
a) Incorreta. Oseltamivir é antiviral para influenza, cujo quadro costuma incluir febre, mialgia e sintomas respiratórios sistêmicos. Codeína não trata a infecção e pode causar sedação e depressão respiratória, sem benefício consistente sobre os paroxismos.
b) Correta (gabarito). O paciente está no período em que ainda se recomenda macrolídeo, associado a hidratação e suporte clínico. Também deve evitar contato próximo até completar cinco dias de antibiótico efetivo.
c) Incorreta. A linfocitose é reacional e típica da coqueluche, sem indicação de aspirado de medula óssea. Amoxicilina não é o tratamento de escolha para Bordetella pertussis.
d) Incorreta. Imunofenotipagem seria considerada diante de suspeita de doença linfoproliferativa, não em síndrome infecciosa típica. Corticoide não é terapia rotineira da coqueluche.