Um homem de 23 anos, sem comorbidades conhecidas, procura a clínica da família com queixa de diarreia há três meses. Refere apresentar de quatro a cinco episódios diários de fezes líquidas em grande quantidade. Relata ainda episódios eventuais de febre baixa e perda ponderal de 5kg no período. É solicitado exame parasitológico de fezes, que evidencia oocistos de Cystoisospora belli.
Pegadinha: oocisto identificado nas fezes dispensa investigação endoscópica inicial; a pergunta passa a ser qual imunodeficiência permitiu doença crônica.
Cystoisospora mais diarreia por mais de um mês deve motivar testagem para HIV.
Tratamento de escolha: trimetoprima-sulfametoxazol.
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Contexto
Cystoisospora belli infecta enterócitos do intestino delgado e causa diarreia aquosa volumosa, dor abdominal, má absorção e perda ponderal. Em pessoas imunocompetentes pode ser autolimitada, mas diarreia por mais de um mês levanta forte suspeita de imunodeficiência, especialmente infecção avançada pelo HIV.
A diretriz do NIH para infecções oportunistas recomenda trimetoprima-sulfametoxazol como tratamento de escolha. Em pessoa sem diagnóstico prévio de imunossupressão, deve-se solicitar testagem para HIV, com consentimento e aconselhamento conforme a rotina do serviço. Se positiva, a avaliação inclui contagem de CD4, carga viral e início de terapia antirretroviral.
Alternativa por alternativa
a) Correta (gabarito). Sulfametoxazol-trimetoprima trata a cistoisosporíase, e a evolução crônica exige investigação de HIV por sua associação com imunossupressão celular.
b) Incorreta. Albendazol é útil para várias helmintíases, mas não é tratamento preferencial de Cystoisospora. Antitransglutaminase investiga doença celíaca e não substitui a avaliação de imunodeficiência.
c) Incorreta. Nitazoxanida não tem eficácia suficientemente estabelecida para ser primeira escolha, e endoscopia não é prioridade quando o oocisto já foi identificado nas fezes.
d) Incorreta. Metronidazol trata giardíase e amebíase, não cistoisosporíase. Colonoscopia não é necessária para confirmar o diagnóstico parasitológico já demonstrado.