Doenças do pericárdio e do miocárdio

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Questão 4
UERJ · 2025

Mulher de 60 anos, com diagnóstico de adenocarcinoma de pulmão, em tratamento com quimioterapia (QT), procurou a emergência com dispneia progressiva há alguns dias, associada à dor do tipo pleurítica, que piora ao deitar. Ao exame físico, tinha hipofonese de bulhas, turgência jugular a 90° e pressão arterial (PA) = 100x60mmHg, na inspiração, e 120x80mmHg, na expiração.

O diagnóstico mais provável e a melhor conduta nesse momento, respectivamente, são:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A paciente apresenta a tríade de Beck: hipotensão, turgência jugular e bulhas hipofonéticas. A pressão sistólica cai de 120mmHg na expiração para 100mmHg na inspiração, configurando pulso paradoxal de 20mmHg; o ponto de corte clássico é queda inspiratória superior a 10mmHg. Em paciente com adenocarcinoma pulmonar, derrame pericárdico maligno é uma causa provável.

No tamponamento, o aumento da pressão intrapericárdica impede o enchimento diastólico das câmaras, reduz o volume sistólico e causa choque obstrutivo. Ecocardiograma à beira leito deve confirmar derrame e sinais de repercussão, mas não se deve atrasar drenagem quando há instabilidade clínica. O Consenso ACC de 2025 sobre doenças pericárdicas mantém a drenagem urgente como tratamento do tamponamento.

Alternativa por alternativa

a) Correta (gabarito). O conjunto clínico define tamponamento cardíaco, cuja medida descompressiva imediata é pericardiocentese, preferencialmente guiada por imagem quando a situação permite.

b) Incorreta. Embolia pulmonar pode causar dispneia, dor pleurítica, hipotensão e turgência jugular, mas a associação com bulhas abafadas e pulso paradoxal marcado em paciente com risco de derrame pericárdico favorece tamponamento. Anticoagulação antes de esclarecer um derrame hemorrágico pode ser perigosa.

c) Incorreta. Pericardite constritiva é uma condição geralmente crônica, produzindo congestão sistêmica por perda da complacência pericárdica. Não explica a apresentação aguda nem é tratada com poliquimioterapia de urgência.

d) Incorreta. Linfangite carcinomatosa causa dispneia progressiva e alterações intersticiais pulmonares, mas não produz a tríade de Beck nem pulso paradoxal.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha: pulso paradoxal é queda inspiratória da pressão sistólica maior que 10mmHg, não ausência do pulso.

  • Tríade de Beck mais pulso paradoxal aponta para tamponamento.

  • Tamponamento com instabilidade exige drenagem, não apenas tratamento da neoplasia de base.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doenças do pericárdio e do miocárdio” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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