Mulher de 50 anos relata episódios de calor e sudorese noturna, especialmente em tórax e face e, às vezes, tem o sono interrompido por esses episódios. Refere histerectomia total com preservação dos ovários, há dois anos. Relata ganho de peso durante a pandemia. Nega tabagismo, uso de corticoides, ingestão de bebidas alcóolicas e história de transfusão de sangue. A mãe é obesa e diabética, sua tia paterna faleceu de câncer de mama e sua avó teve fratura do fêmur aos 70 anos. Ela pergunta ao médico se pode estar na menopausa e diz que quer fazer todos os exames, inclusive dosagens hormonais e densitometria. Além disso, quer começar a terapia hormonal o mais cedo possível, porque “quer ter uma velhice saudável”.
Pegadinha: histerectomia elimina o marcador menstrual, mas não obriga painel hormonal completo.
Densitometria: 65 anos ou antes se o risco de fratura for elevado.
Após histerectomia total, terapia sistêmica costuma usar estrogênio isolado.
Terapia hormonal trata sintomas, não deve ser prescrita apenas para garantir envelhecimento saudável.
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Contexto
Fogachos e sudorese noturna aos 50 anos são sintomas vasomotores do climatério. Como houve histerectomia com preservação ovariana, não é possível usar 12 meses de amenorreia para datar a menopausa, mas o diagnóstico costuma permanecer clínico pela idade e pelos sintomas. Dosagens hormonais não são rotineiras em mulheres acima de 45 anos; FSH pode ser usado quando o diagnóstico continua incerto ou quando há situação que dificulta a interpretação clínica.
A U.S. Preventive Services Task Force de 2025 recomenda densitometria para mulheres com 65 anos ou mais e para mulheres pós-menopáusicas mais jovens cujo risco de fratura seja elevado em ferramenta clínica. História familiar de fratura de quadril, baixo peso, tabagismo, corticoide e outras condições podem justificar avaliação antes dos 65 anos. Portanto, a alternativa A expressa a regra populacional, mas a paciente deve ter seu risco individual calculado.
Terapia hormonal é o tratamento mais eficaz para fogachos em mulheres selecionadas, geralmente com melhor relação benefício-risco quando iniciada antes de 60 anos ou até dez anos do início da menopausa. Após histerectomia total, usa-se estrogênio sem progestagênio, salvo situações especiais. Testosterona não é indicada para prevenção de envelhecimento e só tem indicação baseada em evidência para transtorno do desejo sexual hipoativo após avaliação. História familiar isolada de câncer de mama não é contraindicação absoluta.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O rastreamento populacional de osteoporose por densitometria começa aos 65 anos, com antecipação apenas quando o risco de fratura em mulher pós-menopáusica é elevado.
B) Incorreta. Sem útero, não há necessidade rotineira de progesterona para proteger o endométrio. Testosterona não integra o tratamento padrão dos fogachos.
C) Incorreta. FSH, estradiol e testosterona não precisam ser solicitados em conjunto para confirmar menopausa nessa faixa etária. Testosterona não faz parte da confirmação diagnóstica.
D) Incorreta. Cinquenta anos é idade habitual para transição menopausal, e antecedente familiar em tia não contraindica terapia hormonal por si só. A decisão depende de risco cardiovascular, trombótico, mamário e preferências.