Os exames de sangue de uma mulher de 60 anos revelam TSH elevado (acima de 11mUI/L) e T4 livre normal (1,2ng/dL) em duas medidas, com intervalo de dois meses, e exame de glicemia de jejum = 102mg/dL. Na consulta, a paciente não tem queixas clínicas, apresenta sobrepeso e PA = 120x74mmHg, sem outras alterações ao exame físico.
Pegadinha: TSH alto com T4 livre normal sempre é subclínico, mesmo quando o TSH ultrapassa 10.
ADA 2026: glicemia de jejum de 100 a 125mg/dL caracteriza pré-diabetes.
TSH persistente acima de 10mUI/L geralmente muda o limiar a favor de tratar.
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Contexto
TSH persistentemente elevado com T4 livre normal define hipotireoidismo subclínico, não hipotireoidismo franco. Entretanto, há divergência entre o gabarito e os critérios atuais: TSH acima de 10mUI/L em duas medidas geralmente favorece tratamento com levotiroxina em adultos de 60 anos, após excluir elevação transitória e avaliar anticorpo antiperoxidase, sintomas, bócio, doença cardiovascular e preferência da paciente.
A glicemia de jejum de 102mg/dL também se enquadra como glicemia de jejum alterada pelos critérios da American Diabetes Association de 2026, que usam 100 a 125mg/dL. Alguns referenciais antigos ou baseados na Organização Mundial da Saúde utilizavam 110mg/dL como limite inferior, o que provavelmente explica a expressão sem pré-diabetes no gabarito. Mesmo quando se reconhece pré-diabetes, a primeira conduta é mudança intensiva de estilo de vida; metformina fica para pessoas de maior risco, não para todo resultado isolado.
O gabarito oficial deve ser mantido, mas corresponde a um referencial mais conservador e antigo quanto à glicemia e ao tratamento do TSH acima de 10mUI/L.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A indicação de levotiroxina pode ser defensável atualmente, mas o diagnóstico não é hipotireoidismo franco porque o T4 livre está normal.
B) Incorreta. Reconhece as duas alterações pelos critérios atuais, mas metformina não é tratamento automático do pré-diabetes e ignora que TSH persistente acima de 10 pode indicar levotiroxina.
C) Incorreta. Classifica incorretamente a disfunção tireoidiana como franca e prescreve metformina sem estratificar risco ou confirmar a alteração glicêmica.
D) Correta (gabarito). Identifica corretamente o hipotireoidismo subclínico e prioriza hábitos de vida, conforme o referencial oficial da prova. Pelas recomendações atuais, porém, a glicemia de 102mg/dL é compatível com pré-diabetes e o TSH acima de 10 merece discussão de levotiroxina.