Mulher de 75 anos foi diagnosticada, há dez anos, com adenocarcinoma de pulmão. Foi submetida à radioterapia e quimioterapia, porém evoluiu com metástase. Há três dias, vem apresentando falas desconexas, discurso lento e exacerbação noturna, além de escutar vozes. Na visita domiciliar, o médico de família constata alteração do sensório, além de náuseas e vômitos.
Pegadinha: flutuação aguda da atenção e do sensório é delirium, mesmo quando há alucinações.
Em oncologia avançada, procure causas reversíveis compatíveis com os objetivos de cuidado.
Sedação paliativa é medida para sofrimento refratário, não tratamento inicial de todo delirium.
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Contexto
Delirium é uma síndrome neurocognitiva aguda, com alteração de atenção e consciência, início em horas ou dias e curso flutuante. Fala desconexa, lentificação, alucinações e piora noturna em três dias distinguem delirium de demência, que tem evolução crônica. Em paciente com câncer metastático, causas possíveis incluem desidratação, medicamentos, infecção, hipercalcemia, insuficiência renal, metástase cerebral e aumento da pressão intracraniana.
O cuidado deve ser proporcional aos objetivos terapêuticos. Investigam-se e tratam-se causas reversíveis quando isso traz benefício, com revisão de fármacos, ambiente calmo, presença familiar, correção de retenção urinária ou fecal e controle de náuseas e vômitos. Hidratação pode ser tentada quando há desidratação e possibilidade de melhora, mas deve ser individualizada, pois excesso de fluidos pode agravar edema, secreções e desconforto no fim da vida. Sedação paliativa não é resposta automática ao delirium: reserva-se a sofrimento refratário no processo de morte, após medidas proporcionais.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A instalação aguda, a flutuação e as alterações perceptivas caracterizam delirium associado à evolução clínica. Hidratação criteriosa e antieméticos podem aliviar fatores precipitantes e sintomas, conforme metas de cuidado.
B) Incorreta. Infarto do miocárdio pode apresentar sintomas atípicos em idosos, mas não explica de modo principal o curso neuropsiquiátrico flutuante com alucinações e piora noturna.
C) Incorreta. Delirium pode ocorrer na fase ativa de morte, mas esse diagnóstico exige um conjunto de sinais de declínio, como redução progressiva da consciência, incapacidade de deglutir, padrão respiratório terminal e falência circulatória. Sedação só é indicada para sintoma refratário.
D) Incorreta. Demência não é consequência normal da idade e não surge em três dias. Antipsicótico pode ser considerado se houver agitação perigosa ou sofrimento intenso, mas não substitui avaliação das causas do delirium.