Com relação à polifarmácia em idosos, principalmente acima de 74 anos, é importante avaliar o custo-benefício, porque:
Pegadinha: polifarmácia pode ser apropriada; o alvo é a prescrição sem benefício líquido.
Desprescrever exige plano, retirada gradual quando necessária e seguimento.
Revise indicação, tempo para benefício, função renal, quedas e objetivos do paciente.
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Contexto
Polifarmácia costuma ser definida como uso de cinco ou mais medicamentos, mas o número isolado não determina inadequação. O problema é a polifarmácia potencialmente inapropriada, quando algum fármaco não tem indicação atual, duplica ação, excede benefício esperado ou aumenta risco de quedas, sangramento, hipotensão, delirium, lesão renal e interações.
Desprescrição é processo supervisionado de reduzir ou suspender medicamentos cujo risco supera o benefício. Em idosos selecionados, especialmente frágeis, com hipotensão, quedas, expectativa de vida limitada ou objetivos de cuidado diferentes, pode ser seguro reduzir anti-hipertensivos, retirar estatina de prevenção primária ou interromper inibidor de bomba de prótons sem indicação persistente. Isso não autoriza suspensão indiscriminada: cada medicamento exige revisão da indicação, risco de rebote, retirada gradual e monitorização.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Eventos adversos por medicamentos são causa relevante de atendimentos, internações e mortes em idosos, além do custo econômico.
B) Correta (gabarito). Uma parcela dos idosos pode ter medicamentos retirados de forma criteriosa sem aumento de morbimortalidade, reduzindo carga terapêutica e iatrogenia.
C) Incorreta. Não existe limiar universal em que até dez medicamentos sejam seguros. Cinco fármacos mal escolhidos podem causar mais dano que dez bem indicados e monitorados.
D) Incorreta. Resultados de ensaios em populações gerais não devem ser somados mecanicamente em idosos multimórbidos. Interações, tempo para benefício e preferências podem inverter a relação entre risco e benefício.