Homem de 79 anos, viúvo há seis meses, mora com o filho, nora e dois netos. Faz tratamento para diabetes mellitus e hipertensão arterial, com uso de cinco medicamentos. Durante a consulta na Unidade da Atenção Primária à Saúde, refere dificuldades para dormir, episódios de queda e hipoglicemia. Sua última refeição diária normalmente é um pequeno lanche às 18 horas. Quer um medicamento para dormir e esquecer as perdas da vida.
Pegadinha: pedido de remédio para dormir não é indicação automática de hipnótico.
Queda mais hipoglicemia mais polifarmácia exige revisão medicamentosa antes de acrescentar fármacos.
No luto, acolha, rastreie depressão e risco e priorize intervenções não farmacológicas.
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Contexto
Insônia seis meses após a morte da esposa pode integrar luto, depressão, ansiedade, hábitos inadequados ou efeito de doenças e medicamentos. O caso também traz quedas, hipoglicemia e polifarmácia, tornando perigosa a prescrição imediata de sedativos. A abordagem inicial exige escuta ativa, avaliação de humor e risco de suicídio, rotina de sono, cognição, consumo de cafeína, noctúria e revisão de todos os fármacos.
Os Critérios de Beers da American Geriatrics Society de 2023 recomendam evitar benzodiazepínicos e hipnóticos semelhantes na maioria dos idosos por risco de sedação, delirium, prejuízo cognitivo, quedas e fraturas. A última refeição às 18 horas e episódios de hipoglicemia exigem rever alimentação e antidiabéticos, especialmente insulina ou sulfonilureia, além de individualizar a meta glicêmica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Tranquilizante pode agravar quedas e confusão. Encaminhamento psiquiátrico é indicado quando há depressão grave, risco, dúvida diagnóstica ou falha do manejo inicial, não como substituto da avaliação pela APS.
B) Correta (gabarito). Escuta ativa permite diferenciar luto esperado de transtorno depressivo e compreender o pedido de medicação. Higiene do sono é a primeira intervenção, associada à revisão de hipoglicemia, quedas e medicamentos.
C) Incorreta. Reorientação alimentar é necessária, mas benzodiazepínico é potencialmente inapropriado e pode aumentar exatamente os eventos já presentes.
D) Incorreta. Luto não deve ser medicalizado automaticamente. Psicoterapia, grupos de apoio ou terapia ocupacional podem ajudar, mas fármaco exige diagnóstico de transtorno tratável e avaliação de riscos.