Adolescente de 16 anos procura o ambulatório com queixa de dor abdominal difusa e vômitos há dois dias, sem outros sinais e sintomas. A menstruação é irregular. Ela informa ter um namorado, vida sexual ativa e que faz uso irregular de camisinha. É filha mais velha de três irmãos. Está fora da escola e ajuda sua mãe cuidando da casa e dos irmãos. Ao exame físico, verificam-se IMC = 36, PA = 145x90mmHg e abdômen levemente doloroso difusamente.
Em adolescente sexualmente ativa com dor abdominal, vômitos e menstruação irregular, pense primeiro em beta-HCG.
Uma aferição alta não fecha hipertensão, mas 145 por 90 mmHg aos 16 anos é faixa de estágio 2 e pede reavaliação rápida.
Não se trata número isolado com medicação sublingual; confirme técnica, persistência e lesão de órgão-alvo.
A banca combina risco gestacional com pressão elevada para testar prioridades, não para negar o cuidado da obesidade e da vulnerabilidade social.
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Contexto
Há duas decisões imediatas e independentes. Primeiro, adolescente sexualmente ativa, com uso irregular de preservativo, ciclos irregulares, dor abdominal e vômitos deve ter gestação excluída com beta-HCG. O teste modifica a investigação, a segurança das medicações e a necessidade de avaliar gravidez ectópica se a dor se localizar, houver sangramento, síncope ou instabilidade.
Segundo, uma única medida de pressão arterial não confirma hipertensão crônica. Para adolescentes com 13 anos ou mais, a classificação da American Academy of Pediatrics de 2017 usa os limites de adultos: 145 por 90 mmHg corresponde a pressão em faixa de estágio 2. A medida deve ser repetida com técnica correta, manguito adequado e confirmação auscultatória. Persistindo a elevação, a avaliação deve ser rápida, com novas medidas em ocasiões distintas ou monitorização ambulatorial quando disponível. Sintomas neurológicos, dor torácica, dispneia, alteração renal ou valores muito elevados exigiriam abordagem urgente.
A obesidade grave exige avaliação metabólica, orientação alimentar e atividade física, mas nenhuma alternativa reúne todas as necessidades. Entre as opções, a única que não ignora gravidez e não inicia anti-hipertensivo com base em uma aferição isolada é a letra C.
Alternativa por alternativa
a) Incorreta. Solicitar beta-HCG é adequado, mas propranolol sublingual não é tratamento de uma elevação pressórica assintomática isolada. Redução abrupta e não monitorada pode causar hipotensão, bradicardia e mascarar a necessidade de confirmar o diagnóstico.
b) Incorreta. Lipidograma e apoio social podem integrar o cuidado da obesidade e da vulnerabilidade, porém a alternativa omite a possibilidade de gravidez e inicia anti-hipertensivo antes de confirmar hipertensão persistente.
c) Correta (gabarito). O beta-HCG é obrigatório diante do risco gestacional, a alimentação deve ser abordada e a pressão precisa ser confirmada em novas aferições. Como o valor está em faixa de estágio 2, essa confirmação deve ocorrer prontamente, não ser adiada por meses.
d) Incorreta. Atividade física e serviço social são úteis, mas não substituem o teste de gravidez. Além disso, prescrever anti-hipertensivo após uma única medida, sem sinais de emergência, é precipitado.