Em uma discussão com residentes, o preceptor perguntou ao R1 como se apresentava o liquor de uma criança com meningite por meningogo. Ele respondeu: liquor turvo, com aumento de proteína, aumento de leucócitos à custa de neutrófilos e glicose baixa. Ao R2 foi feita a mesma pergunta, porém em relação à meningite viral. O R2 respondeu: aspecto claro, aumento de leucócitos à custa de linfócitos, proteína ligeiramente aumentada e glicose normal. Ao R3 foi perguntado sobre o liquor no caso de meningite por turbeculose. O R3 respondeu: claro, com muitas células (linfócitos), proteína aumentada e glicose aumentada.
Tuberculose no líquor é linfócito mais proteína alta mais glicose baixa.
Bacteriana aguda costuma ser neutrofílica e hipoglicorráquica; viral costuma ser linfocítica com glicose normal.
Neutrófilos no início não excluem meningite viral ou tuberculosa, portanto o conjunto e a evolução importam.
A pegadinha clássica é trocar a glicose da meningite tuberculosa, que diminui, pela glicose normal da viral.
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Contexto
A análise do líquor deve integrar aspecto, pressão de abertura, celularidade, proteína e glicose, idealmente comparando a glicose liquórica à glicemia simultânea. O R1 descreveu corretamente o padrão bacteriano, o R2 descreveu corretamente o padrão viral e o R3 errou porque a meningite tuberculosa consome glicose e causa hipoglicorraquia, não aumento da glicose.
Na meningite meningocócica, a inflamação bacteriana aumenta a permeabilidade da barreira hematoencefálica, eleva proteínas e recruta neutrófilos. A glicose cai pelo consumo por microrganismos e células inflamatórias e pela alteração de transporte. Na meningite viral, a glicose geralmente permanece normal. Na tuberculose, o padrão linfocítico com proteína alta e glicose baixa pode se acompanhar de pressão de abertura elevada.
Alternativa por alternativa
a) Correta (gabarito). R1 e R2 forneceram os padrões típicos de meningite bacteriana e viral. R3 errou exclusivamente um ponto decisivo: na meningite tuberculosa a glicose está reduzida.
b) Incorreta. R1 não está errado; líquor turvo, neutrofílico, hiperproteinorraquia e hipoglicorraquia é o padrão bacteriano clássico. R3 também não está certo por afirmar glicose aumentada.
c) Incorreta. R1 e R2 estão corretos em seus padrões gerais. Além disso, o R3 não poderia ser considerado certo porque a meningite tuberculosa cursa com glicose baixa.
d) Incorreta. R1 está certo, mas R2 também está certo ao descrever líquor claro, linfocítico, com proteína discretamente aumentada e glicose normal. R3 permanece errado.