Um homem de 43 anos chega ao pronto-socorro queixando-se de dor moderada no quadrante superior direito e febre nas últimas 24 horas. Nega outros problemas de saúde, tabagismo, consumo de álcool e drogas ilícitas. Sua temperatura é de 38,3oC, a PA é de 120x70mmHg, a FC é de 96bpm e a frequência respiratória (FR) é de 18irpm. Apresenta icterícia leve nas escleras e na conjuntiva oral. O abdômen é flácido, depressível e moderadamente sensível à palpação do quadrante superior direito, com leve defesa. Os ruídos hidroaéreos abdominais estão levemente aumentados. Os exames laboratoriais do paciente revelam leucometria de 16.000cel/dL, bilirrubina total de 3,6mg/dL, bilirrubina direta de 2,8mg/dL, fosfatase alcalina de 500U/L, aspartato aminotransferase de 38U/L, alanina aminotransferase de 43U/L e amilase de 70U/L.
A pegadinha é saltar diretamente para a cirurgia: primeiro ressuscite, cultive e dê antibiótico.
Colangite moderada ou grave exige drenagem precoce ou urgente da via biliar.
Não atrase antibiótico para colher hemocultura em paciente instável.
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Contexto
Febre, dor no quadrante superior direito e icterícia compõem a tríade de Charcot e, com leucocitose e padrão laboratorial colestático, indicam colangite aguda. A prioridade inicial é reconhecer sepse, obter acesso venoso, colher culturas, iniciar cristalóide conforme necessidade e administrar antibiótico que cubra enterobactérias e anaeróbios conforme gravidade e epidemiologia local.
As Diretrizes de Tóquio de 2018 orientam colher hemoculturas antes do antibiótico sempre que isso não atrasar o tratamento. Após estabilização e estratificação de gravidade, deve-se definir drenagem da via biliar, geralmente por CPRE. O enunciado pergunta a conduta imediata entre as opções, não o controle definitivo da obstrução.
A colecistectomia trata a fonte vesicular em outro momento, mas não é a primeira medida durante uma infecção do colédoco. Endoscopia digestiva alta convencional e litotripsia extracorpórea não controlam a sepse biliar.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Endoscopia digestiva alta avalia esôfago, estômago e duodeno, mas não drena a via biliar. O procedimento terapêutico específico é a CPRE.
B) Incorreta. Colecistectomia não é a medida inicial em colangite e não descomprime diretamente o colédoco obstruído.
C) Correta (gabarito). Hemoculturas e antibioticoterapia imediata integram a abordagem inicial da colangite, seguidas de drenagem biliar conforme gravidade e resposta.
D) Incorreta. Litotripsia extracorpórea não é tratamento inicial de infecção biliar aguda e não oferece controle rápido da fonte séptica.