Uma mulher de 25 anos e o irmão de 64 anos comparecem na UBS com teste ergométrico (TE) com sinais de isquemia induzida por esforço. Eles relatam recente morte do pai por doença coronariana aos 84 anos. A mulher nega sintomas cardiovasculares e informa que o exame foi solicitado porque ela desejava realizar atividade física. O irmão, que é diabético, hipertenso e tabagista, relata que vinha sentindo dor precordial retroesternal em aperto, que piorava com atividade física intensa e melhorava rapidamente quando reduzia o esforço. Diante dessa situação, o médico solicita uma cintilografia miocárdica com TE para ambos. Como o paciente usava betabloqueador e anlodipina em baixas doses, o médico pediu a suspensão das medicações três dias antes de realizar o exame.
Após o exame complementar da mulher ter revelado isquemia, a paciente foi submetida a uma cineangiocoronariografia que mostrou única lesão de 10% no ramo diagonal da descendente anterior.
Pegadinha: teste positivo em paciente de risco muito baixo pode gerar uma cascata até exame invasivo sem doença obstrutiva.
Lesão de 10% não limita fluxo e não explica isquemia por estenose fixa.
Na linguagem atual, placa mínima pode ser chamada de aterosclerose não obstrutiva, mas isso não corrige a má indicação do exame.
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Contexto
A cineangiocoronariografia foi o final de uma cascata iniciada por rastreamento inadequado em mulher jovem, assintomática e de baixíssima probabilidade clínica. Nessa situação, um teste ergométrico falso-positivo seguido de cintilografia pode levar a exame invasivo sem benefício proporcional, com exposição a contraste, radiação, sangramento e outros riscos.
O gabarito considera que uma irregularidade de 10% não caracteriza doença arterial coronariana clinicamente relevante, entendida na prova como doença obstrutiva. Há uma nuance contemporânea: pela terminologia atual, qualquer placa pode ser descrita como aterosclerose coronariana não obstrutiva, embora uma lesão de 10% não explique isquemia por limitação fixa de fluxo e não valide a cascata diagnóstica. Mantém-se, portanto, a resposta oficial de que o exame foi mal indicado e não demonstrou doença obstrutiva.
Alternativa por alternativa
a) Incorreta. A indicação foi inadequada e uma lesão de 10% não confirma doença coronariana obstrutiva responsável por isquemia.
b) Incorreta. Pré-doença arterial coronariana não é uma categoria diagnóstica apropriada, e a cineangiocoronariografia não foi bem indicada.
c) Correta (gabarito). O exame invasivo foi mal solicitado após testes de baixo valor preditivo positivo, e o achado de 10% não caracteriza doença arterial coronariana obstrutiva no sentido cobrado.
d) Incorreta. Dor típica mudaria a probabilidade clínica e a estratégia de investigação, mas não transforma retroativamente a indicação atual em correta nem define isoladamente a anatomia coronariana.