Cuidados paliativos e terminalidade

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Questão 81
UERJ · 2026

Mulher de 63 anos, viúva há dois anos, sofrendo de doença de Alzheimer, reside com a filha única de 40 anos. Nos últimos dois anos, tem se recusado a sair da cama, come pouco, quase não interage e apresenta feridas de decúbito. Nos momentos de lucidez, queixa-se de dor, expressando vontade de morrer. O médico de família realiza visita domiciliar e, além de tratar a dor, identifica como prioridade(s) no plano de cuidados integrais:

identifica como prioridade(s) no plano de cuidados integrais:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O caso sugere demência em fase avançada, com dependência funcional, imobilidade, baixa ingestão, lesões por pressão, dor e importante sobrecarga familiar. O plano deve ser construído a partir de objetivos de cuidado, capacidade decisória, preferências previamente expressas e avaliação de causas potencialmente tratáveis de sofrimento, como dor, constipação, infecção, delirium, depressão, retenção urinária e cuidado inadequado das feridas.

Na abordagem paliativa, a prioridade é maximizar conforto, dignidade e bem-estar, ampliar a rede de apoio e reduzir a sobrecarga da filha cuidadora. A fala de desejo de morrer exige escuta e avaliação de sofrimento, depressão, desesperança e risco de autoagressão, mas não deve ser automaticamente reduzida a uma emergência psiquiátrica. A diretriz ESPEN de 2024 sobre nutrição e hidratação na demência reforça que decisões alimentares devem ser individualizadas e orientadas por conforto, benefício esperado e objetivos do cuidado, sem alimentação coercitiva.

Alternativa por alternativa

a) Correta (gabarito). Ampliar suporte social e maximizar o bem-estar reúne as prioridades centrais: controle de sintomas, cuidados das lesões por pressão, apoio à cuidadora, organização da assistência domiciliar e decisões proporcionais aos objetivos da paciente.

b) Incorreta. Internação não é obrigatória apenas pela presença de demência avançada e dependência. Ela se justifica quando existe necessidade aguda que não possa ser manejada no domicílio, enquanto hospitalizações sem objetivo definido podem aumentar delirium, imobilidade e sofrimento.

c) Incorreta. A expressão de vontade de morrer deve ser investigada, mas dor, perda de autonomia e sofrimento existencial podem explicá-la. Encaminhamento psiquiátrico urgente depende de risco suicida atual, plano, intenção, psicose ou outra emergência, sem substituir o controle imediato dos sintomas.

d) Incorreta. Apoiar a familiar é necessário, inclusive no luto antecipatório, mas recomendar apenas maior aporte calórico ignora a prioridade de conforto e pode transformar a alimentação em fonte de conflito. A baixa ingestão na demência avançada deve ser avaliada clinicamente e manejada de forma proporcional.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha: desejo de morrer em doença avançada exige avaliação de sofrimento e risco, mas não equivale automaticamente a emergência psiquiátrica.

  • Demência avançada pede plano paliativo com conforto, tratamento de sintomas, prevenção de lesões e apoio ao cuidador.

  • Internação, alimentação artificial ou medidas invasivas só fazem sentido quando oferecem benefício compatível com os objetivos do cuidado.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Cuidados paliativos e terminalidade” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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