Escolar de 8 anos apresenta febre alta há cinco dias, dor abdominal com episódios de diarreia e exantema maculopapular difuso, não pruriginoso, mais intenso e de início em tronco. A mãe relata que notou vermelhidão em olhos e lábios, além de muita prostração e respiração rápida na menina. Ao exame físico, encontra-se hipoativa, febril (39,2°C), taquicárdica, taquipneica, com exantema polimórfico em tronco e hiperemia conjuntival. As últimas vacinas realizadas foram aos dois anos. Há história de contato com primos gripados há três semanas.
Febre persistente mais sintomas gastrointestinais e mucocutâneos duas a seis semanas após COVID-19 sugere SIM-P.
Taquicardia desproporcional, hipotensão ou taquipneia podem refletir miocardite e choque, não apenas febre.
Sarampo começa na face e desce; SIM-P frequentemente tem exantema polimorfo com dor abdominal, vômitos ou diarreia.
O recorte que a banca repete é a síndrome pós-infecciosa, muitas vezes após COVID-19 não reconhecida.
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Contexto
Febre alta persistente, sintomas gastrointestinais marcantes, exantema polimorfo, conjuntivite, alterações labiais e sinais de comprometimento sistêmico em escolar, algumas semanas após contato com síndrome viral, compõem o fenótipo de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica associada à COVID-19, SIM-P. O CDC descreve início geralmente duas a seis semanas após infecção por SARS-CoV-2, que pode ter sido leve ou assintomática.
O diagnóstico requer investigação hospitalar com marcadores inflamatórios, hemograma, função renal e hepática, coagulação, troponina, BNP ou NT-proBNP, eletrocardiograma, ecocardiograma e evidência de infecção ou exposição ao SARS-CoV-2, além de exclusão de outras causas. O atraso vacinal aumenta a necessidade de considerar sarampo, mas o padrão do exantema e o predomínio gastrointestinal e cardiovascular tornam SIM-P mais provável.
Alternativa por alternativa
a) Incorreta. Sarampo produz pródromo com tosse, coriza e conjuntivite, manchas de Koplik e exantema que começa na face e progride em sentido craniocaudal. Aqui, o exantema começou e predomina no tronco, há sintomas gastrointestinais intensos e sinais multissistêmicos após intervalo pós-viral.
b) Incorreta. Meningite pneumocócica costuma causar cefaleia, rigidez de nuca, alteração do nível de consciência, convulsões ou sinais meníngeos. Não explica adequadamente a associação de conjuntivite, lábios hiperemiados, exantema e diarreia.
c) Incorreta. Infecção pelo HIV com imunodeficiência adquirida causa evolução crônica com infecções oportunistas, perda ponderal e outras manifestações, não esse episódio hiperinflamatório agudo pós-infeccioso.
d) Correta (gabarito). O intervalo de três semanas após contato viral, somado a febre persistente, manifestações gastrointestinais, mucocutâneas e sinais de gravidade, é típico de SIM-P.