Mulher de 50 anos, alcoólatra, tem história de febre alta acompanhada de calafrios, perda de peso, náuseas, vômitos e dor abdominal em quadrante superior direito há alguns dias. Os sinais vitais estão mantidos. Os exames laboratoriais apresentam hemoglobina = 11g/dL, leucócitos = 18.000/mm3, plaquetas = 230.000/mm3, creatinina = 1,2mg/dL, ureia = 50mg/dL, bilirrubina total = 8,5mg/dL e fosfatase alcalina = 700U/L. A USG abdominal revela dilatação das vias biliares extra-hepáticas e cálculos em vesícula.
A pegadinha é tratar apenas com antibiótico: colangite obstrutiva exige drenagem da via biliar.
Tríade de Charcot é febre, dor em hipocôndrio direito e icterícia.
CPRE é terapêutica: drena, realiza papilotomia e remove cálculo.
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Contexto
Febre com calafrios, dor no quadrante superior direito e hiperbilirrubinemia formam a tríade de Charcot. A fosfatase alcalina elevada e a dilatação das vias biliares extra-hepáticas demonstram obstrução biliar, provavelmente por cálculo migrado para o colédoco. O diagnóstico é colangite aguda litiásica.
Na colangite, a obstrução eleva a pressão intraductal e permite translocação de bactérias e endotoxinas para a circulação. Antibiótico é necessário, mas a resolução depende do controle da fonte por descompressão da via biliar. As Diretrizes de Tóquio de 2018 recomendam drenagem endoscópica precoce nas formas moderadas e urgente após estabilização nas formas graves.
A colangiopancreatografia retrógrada endoscópica permite papilotomia, retirada de cálculos e colocação de prótese ou dreno. Após a resolução do episódio, a vesícula deve ser tratada de forma definitiva, geralmente com colecistectomia, para reduzir recorrência.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O quadro é de colangite aguda por obstrução litiásica, e a CPRE com papilotomia promove a drenagem e permite tratar o cálculo obstrutivo.
B) Incorreta. Colecistite causa inflamação da vesícula e geralmente não produz dilatação extra-hepática e icterícia tão pronunciada. Drenagem biliar externa não é a primeira via quando a CPRE está disponível.
C) Incorreta. O diagnóstico está correto, mas colecistostomia percutânea drena a vesícula em colecistite de alto risco e não desobstrui adequadamente o colédoco.
D) Incorreta. A tomografia pode auxiliar em dúvidas diagnósticas, mas não realiza papilotomia. O quadro não é de colecistite isolada e já existe evidência de obstrução biliar.