Menino de 2 anos, previamente saudável, é levado ao pronto atendimento com quadro de tosse seca, rouquidão e dispneia de início súbito durante a madrugada. Os pais relatam que ele estava com coriza e febre baixa no dia anterior, mas manteve bom estado geral, boa aceitação da dieta e estava bastante ativo. Ao exame físico, apresenta estridor inspiratório, tiragem subcostal leve e tosse metálica, "de cachorro". Está eupneico em repouso e mantém boa saturação em ar ambiente.
Tosse de cachorro mais rouquidão mais estridor inspiratório é crupe; o agente principal é parainfluenza.
Crupe é edema subglótico; epiglotite é supraglótica e produz sialorreia e posição em tripé.
Estridor em repouso, retrações importantes, hipoxemia ou alteração do nível de consciência indicam maior gravidade.
O recorte mais cobrado é diferenciar parainfluenza do Hib usando tosse ladrante versus disfagia e sialorreia.
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Contexto
Tosse metálica, rouquidão e estridor inspiratório após pródromo de coriza e febre baixa caracterizam laringotraqueíte viral, ou crupe. A inflamação e o edema predominam na região subglótica, o ponto mais estreito da via aérea pediátrica. Pequenos aumentos da espessura da mucosa reduzem muito o calibre e elevam a resistência ao fluxo, produzindo estridor, retrações e a tosse ladrante.
O agente mais comum é o vírus parainfluenza humano, sobretudo o tipo 1. O tipo 2 também causa crupe, enquanto o tipo 3 se associa com maior frequência a doença de vias aéreas inferiores. Influenza, vírus sincicial respiratório, adenovírus, rinovírus e metapneumovírus também podem produzir laringotraqueíte, mas são menos frequentes.
O início noturno e o bom estado geral ajudam a diferenciar o crupe da epiglotite. Na epiglotite bacteriana, a criança costuma estar toxemiada, com febre alta, disfagia, sialorreia, voz abafada e posição em tripé; tosse de cachorro é incomum. Neste caso, a boa saturação e a ausência de estridor em repouso persistente sugerem forma leve, embora a questão solicite apenas a etiologia.
Alternativa por alternativa
a) Incorreta. Tuberculose laríngea é rara na infância e causa quadro subagudo ou crônico, com rouquidão persistente, tosse e sintomas constitucionais, não síndrome noturna aguda após coriza.
b) Incorreta. Influenza A pode causar crupe e, quando o faz, pode produzir doença mais febril e intensa. Ainda assim, não é o agente mais frequente.
c) Correta (gabarito). O vírus parainfluenza é o principal agente da laringotraqueíte viral e explica o pródromo respiratório seguido de edema subglótico, tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório.
d) Incorreta. Haemophilus influenzae tipo b é classicamente associado à epiglotite, hoje muito menos comum em populações vacinadas. Epiglotite cursa com sialorreia, disfagia, aspecto tóxico e posição em tripé, não com tosse metálica típica.