Mulher de 59 anos, GIIIPIII, menopausada há 10 anos, apresenta sangramento vaginal há uma semana. É hipertensa e tem índice de massa corporal (IMC) de 32 kg/m2. Ao exame ginecológico apresenta colo atrófico e útero levemente aumentado. A ultrassonografia transvaginal mostra espessamento endometrial de 15mm.
A pegadinha é tratar o ultrassom como diagnóstico final: sangramento pós-menopausa com endométrio acima de 4 mm pede avaliação histológica.
Obesidade aumenta exposição estrogênica periférica e risco de câncer endometrial.
Histerectomia só entra depois de diagnóstico histológico e definição de extensão.
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Contexto
Sangramento após a menopausa deve ser investigado para excluir hiperplasia endometrial e câncer. A ultrassonografia transvaginal é um método inicial útil: endométrio com 4 mm ou menos apresenta valor preditivo negativo superior a 99% para câncer endometrial em uma primeira avaliação, enquanto espessura acima desse limite, imagem inadequada ou sangramento persistente exige amostragem histológica. Nesta paciente, 15 mm é espessamento expressivo e não admite simples observação.
Obesidade e hipertensão reforçam o risco de neoplasia endometrial; o tecido adiposo aumenta conversão periférica de andrógenos em estrogênios, produzindo estímulo endometrial sem oposição após a menopausa. A histeroscopia permite visualizar a cavidade e realizar biópsia dirigida, especialmente útil para pólipos e lesões focais. Biópsia endometrial ambulatorial também pode ser método inicial em muitos serviços, mas, entre as opções, histeroscopia com biópsia é a única investigação diagnóstica adequada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Histerectomia com salpingooforectomia é tratamento possível após confirmação e estadiamento de determinadas neoplasias, não método diagnóstico inicial para todo sangramento pós-menopausa.
B) Incorreta. Progestagênio empírico pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico. Só deve ser usado após definição histológica, por exemplo em hiperplasia sem atipia selecionada.
C) Incorreta. Repetir ultrassonografia em 6 meses é inseguro porque a paciente é sintomática, tem endométrio de 15 mm e fatores de risco.
D) Correta (gabarito). Histeroscopia com biópsia fornece tecido para diferenciar pólipo, hiperplasia, lesão precursora e carcinoma, além de direcionar a coleta para áreas suspeitas.