Homem de 40 anos, com dor epigástrica em queimação, realiza endoscopia digestiva, que mostra uma úlcera péptica duodenal e teste da urease positivo.
A pegadinha é confundir cicatrização com cura: o inibidor cicatriza; a erradicação impede recorrência.
Todo paciente tratado precisa de teste de cura.
Resposta dos sintomas não substitui comprovação de erradicação.
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Contexto
Helicobacter pylori causa inflamação crônica e altera a regulação da secreção ácida, favorecendo úlcera duodenal. Inibidores de bomba de prótons cicatrizam a lesão presente, mas, se a bactéria permanecer, o mecanismo ulcerogênico persiste e a úlcera recidiva após a suspensão da supressão ácida.
A Diretriz do American College of Gastroenterology sobre H. pylori de 2024 recomenda tratar todas as pessoas infectadas e confirmar a erradicação. Na úlcera duodenal, o maior benefício específico da antibioticoterapia é a redução drástica da recorrência e do ressangramento, transformando uma doença antes recorrente em condição potencialmente curável.
A cicatrização imediata depende principalmente da supressão ácida associada ao esquema. O alívio da dor não confirma erradicação, por isso o teste de cura deve ser realizado pelo menos quatro semanas após antibióticos, com teste respiratório da ureia, antígeno fecal ou método baseado em biópsia, suspendendo o inibidor de bomba pelo período recomendado para evitar falso-negativo.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A erradicação reduz risco de câncer gástrico em determinados grupos, mas a principal indicação imediata no paciente com úlcera duodenal é evitar recidiva ulcerosa e suas complicações.
B) Incorreta. A melhora sintomática pode ocorrer com supressão ácida mesmo sem erradicação. Sintomas não são o objetivo discriminante nem confirmam cura bacteriana.
C) Correta (gabarito). A eliminação do agente remove o estímulo causal e reduz acentuadamente a recorrência da úlcera duodenal.
D) Incorreta. O inibidor de bomba é o principal responsável pela cicatrização rápida. O ganho singular dos antibióticos é prevenir que a lesão volte após o tratamento.