Escolar de 8 anos é levado ao consultório por queixa, iniciada há cerca de um ano, de dor em membros inferiores (bilateral em coxas, panturrilhas e região pré-tibial), de caráter intermitente, predominantemente noturna, e que cede com massagem com álcool, acordando bem no dia seguinte. Os exames complementares mostram hemograma e provas de atividade inflamatória normais e valores elevados de antiestreptolisina O (ASO ou ASLO de 400UI; valor de normalidade até 200UI).
ASLO alto isolado não transforma dor noturna benigna em febre reumática.
Dor do crescimento é bilateral, noturna, intermitente e deixa a criança normal pela manhã.
Claudicação persistente, dor unilateral focal, febre, edema ou exame alterado exigem investigação.
As bancas repetem a melhora com massagem e a ausência de sinais inflamatórios como pistas decisivas.
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Contexto
O padrão é clássico de dores do crescimento, também chamadas dores benignas noturnas dos membros. Elas ocorrem em crianças saudáveis, geralmente são bilaterais, acometem coxas, panturrilhas ou região pré-tibial, surgem no fim do dia ou à noite, podem acordar a criança e desaparecem pela manhã. Entre os episódios, o exame físico é normal, não há claudicação persistente, edema, calor articular, limitação ou alteração de marcadores inflamatórios.
ASLO de 400 UI demonstra resposta imunológica a contato recente com estreptococo do grupo A, mas pode permanecer elevado por meses. ASLO isolado não diagnostica febre reumática. O diagnóstico exige síndrome clínica compatível pelos critérios de Jones, combinada a evidência de infecção estreptocócica precedente, salvo apresentações específicas como coreia isolada ou cardite indolente.
A conduta é explicar a benignidade, orientar massagem, calor local, alongamento e analgésico simples se necessário. Não há indicação de profilaxia secundária para febre reumática nem de tratamento anti-inflamatório contínuo.
Alternativa por alternativa
a) Incorreta. Um AINE pode ser usado ocasionalmente se a dor for intensa, mas iniciar tratamento anti-inflamatório regular não é a melhor conduta para uma condição benigna, episódica e sem inflamação.
b) Incorreta. Profilaxia secundária com penicilina é indicada após diagnóstico de febre reumática, não por elevação isolada de ASLO.
c) Correta (gabarito). O padrão clínico, a resolução pela manhã e os exames normais definem dor do crescimento. A intervenção principal é tranquilizar os responsáveis e ensinar medidas de conforto, mantendo vigilância para sinais de alarme.
d) Incorreta. A alternativa soma duas condutas que não são necessárias: anti-inflamatório contínuo para dor não inflamatória e profilaxia sem critérios de febre reumática.