Durante estágio em maternidade de alto risco, um interno de medicina avaliou puérpera com grupo sanguíneo Rh negativo e recém-nascido Rh positivo, que recebeu imunoglobulina humana anti-Rh (D) no primeiro dia pós-parto.
A pegadinha é aceitar o gabarito sem perpetuar o erro conceitual: C é a resposta oficial, mas Kleihauer quantifica hemorragia fetomaterna, não eficácia da imunoglobulina.
Coombs indireto pode ficar positivo por anti-D passivo após a profilaxia.
Kleihauer positivo pode significar necessidade de dose adicional; em sangramento volumoso, repete-se o teste para confirmar depuração.
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Contexto
O gabarito C reproduz uma interpretação didática tradicional: após imunoglobulina anti-D, o Coombs indireto pode detectar anti-D passivo e tornar-se positivo; um Kleihauer negativo seria interpretado como ausência de hemácias fetais detectáveis na circulação materna. Assim, a dupla positivo e negativo foi tomada pela banca como sinal de profilaxia efetiva.
Há uma divergência importante com a prática transfusional atual. O teste de Kleihauer-Betke não é teste de eficácia da imunoglobulina: ele estima o volume de hemorragia fetomaterna para calcular se a dose padrão de anti-D é suficiente e pode permanecer positivo mesmo após profilaxia adequada, até que as hemácias fetais sejam depuradas. Da mesma forma, Coombs indireto positivo após anti-D pode representar anticorpo passivo, mas não comprova proteção nem distingue sozinho anti-D passivo de aloanticorpo imune. As recomendações da British Society for Haematology orientam usar a quantificação da hemorragia para ajuste de dose e, em grandes hemorragias, repetir a avaliação para documentar depuração celular.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Embora Coombs indireto positivo seja compatível com anti-D passivo, Kleihauer positivo indica hemácias fetais detectáveis e pode exigir cálculo de dose adicional, não sendo o resultado que a banca adotou como ação concluída.
B) Incorreta. Coombs indireto negativo não demonstra a presença do anti-D passivamente administrado. Além disso, Kleihauer positivo aponta hemorragia fetomaterna mensurável.
C) Correta (gabarito). No modelo cobrado, o Coombs indireto positivo representa anti-D passivo circulante e o Kleihauer negativo representa ausência de hemácias fetais detectáveis. Clinicamente, essa combinação não deve ser usada isoladamente para provar eficácia da profilaxia.
D) Incorreta. Ambos negativos não correspondem à lógica da questão, que espera detecção sorológica do anti-D administrado.