Gestante de 28 anos, GIIPI (PN), encontra-se em acompanhamento pré-natal em unidade de saúde da família, tendo retornado hoje para consulta de rotina. Realizou teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com 26 semanas que apresentou o seguinte resultado: jejum = 89; 1h = 190; 2h = 157.
A pegadinha é achar que todos os valores precisam estar alterados: um único valor no TOTG já confirma diabetes gestacional.
Limites: jejum 92, 1 hora 180 e 2 horas 153 mg/dL.
Hiperglicemia materna causa hiperinsulinismo fetal; após o parto, isso vira hipoglicemia neonatal.
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Contexto
O teste oral de tolerância à glicose com 75 g entre 24 e 28 semanas diagnostica diabetes mellitus gestacional quando pelo menos um valor atinge ou ultrapassa o limite adotado pela OMS e pelo consenso brasileiro. Nesta paciente, o jejum é normal, mas os valores de 1 hora e 2 horas estão alterados.
A hiperglicemia materna atravessa a placenta, mas a insulina materna não. O pâncreas fetal responde com hiperinsulinismo, promovendo crescimento e armazenamento energético. Após o clampeamento do cordão, a oferta de glicose materna cessa abruptamente enquanto a insulina neonatal permanece elevada, causando hipoglicemia nas primeiras horas de vida. Malformações congênitas se associam principalmente a diabetes pré-gestacional mal controlado durante a organogênese.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Óbito fetal pode ocorrer em diabetes com controle inadequado e outras complicações, mas não é a consequência fisiopatológica mais direta e clássica dos valores apresentados.
B) Incorreta. Malformações decorrem sobretudo de hiperglicemia já presente no período embrionário, típica de diabetes pré-gestacional. O diabetes gestacional costuma ser diagnosticado após a organogênese.
C) Correta (gabarito). O hiperinsulinismo fetal persiste após o nascimento e, com a interrupção da glicose materna, produz hipoglicemia neonatal.
D) Incorreta. O padrão mais comum é crescimento fetal excessivo e macrossomia. Restrição de crescimento pode aparecer em diabetes pré-gestacional com vasculopatia, não é o desfecho típico do diabetes gestacional isolado.