Uma mulher de 52 anos, com hipertensão arterial sistêmica (HAS), dislipidemia, diabetes mellitus (DM), obesidade grau III e colelitíase, em uso de metformina, gliclazida, losartana e sinvastatina e realizando terapia de reposição hormonal pós-menopausa, procura o ambulatório de clínica médica após realização de ultrassonografia (USG) de abdômen superior, que evidenciou esteatose hepática acentuada e nódulo em lobo direito do fígado. É solicitada TC de abdômen superior com contraste trifásico, que revela fígado de tamanho aumentado e nódulo de 4cm em segmento VIII, com realce na fase arterial e lavagem do contraste na fase portal.
A pegadinha é atribuir o nódulo ao uso hormonal: no fígado esteatótico, obesidade e diabetes apontam para carcinogênese metabólica.
Realce arterial com lavagem tardia é padrão de alto rendimento para hepatocarcinoma em população de risco.
Sem cirrose ou hepatite B, a imagem isolada pode não dispensar confirmação histológica.
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Contexto
Realce arterial seguido de lavagem do contraste em fases posteriores é um padrão típico de hepatocarcinoma em pacientes pertencentes a grupos de risco. A paciente apresenta esteatose acentuada e múltiplos componentes de disfunção metabólica, sugerindo doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, que pode evoluir para esteato-hepatite, fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular.
A Orientação Prática da AASLD sobre hepatocarcinoma de 2023 reconhece obesidade e diabetes mellitus como fatores relacionados à doença hepática metabólica e ao risco de carcinoma hepatocelular. O risco é maior quando há fibrose avançada ou cirrose, mas parte dos tumores associados à doença metabólica ocorre sem cirrose documentada.
Há uma ressalva diagnóstica: os critérios radiológicos não invasivos de hepatocarcinoma são validados principalmente em cirrose ou hepatite B crônica. Em pessoa sem cirrose conhecida e sem hepatite B, um nódulo com esse padrão pode precisar de biópsia para confirmação. Isso não altera a pergunta, que solicita os fatores de risco presentes no caso.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Dislipidemia integra o risco metabólico, mas sexo feminino não é fator de risco clássico para hepatocarcinoma; a incidência é maior em homens.
B) Correta (gabarito). Diabetes mellitus e obesidade promovem resistência insulínica, inflamação e progressão da doença hepática esteatótica, aumentando o risco de fibrose e hepatocarcinoma.
C) Incorreta. Idade aumenta o risco acumulado, mas estatinas não são fator causal reconhecido e podem associar-se a menor risco hepático em alguns estudos.
D) Incorreta. Terapia hormonal e colelitíase não formam a associação principal com hepatocarcinoma. Hormônios estrogênicos relacionam-se mais a adenoma hepatocelular em contextos específicos.