Gestante de 20 anos, primigesta, é atendida em consulta pré-natal com 35 semanas, assintomática, apresentando PA = 150x90mmHg. Exames laboratoriais de rotina realizados na véspera indicam hematócrito = 36%, hemoglobina = 10,7g/dL, plaquetometria = 148.000, transaminase glutâmico-oxalacética (TGO) = 12, transaminase glutâmico pirúvica (TGP) = 14, lactato desidrogenase (LDH) = 234, bilirrubina total = 0,5, creatinina = 0,8 e proteinúria de 24 horas = 600mg. USG realizada no mesmo dia indica feto único, cefálico, normodramnia, peso estimado de 2.800g, placenta corporal posterior grau III, biometria de 34/35 semanas e dopplerfluxometria com relação umbílico-cerebral menor que 1,0.
A pegadinha é valorizar plaquetas de 148.000 como graves: o corte de gravidade é abaixo de 100.000.
Proteinúria confirma o diagnóstico, mas a quantidade de 600 mg não determina gravidade por si só.
Pressão grave começa em 160 sistólica ou 110 diastólica.
Doppler fetal anormal muda vigilância e conduta, mas não substitui os critérios de gravidade materna.
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Contexto
Assumindo confirmação da pressão de 150 por 90 mmHg em nova medida, há hipertensão de início após 20 semanas associada a proteinúria de 600 mg em 24 horas, acima do limite de 300 mg. Isso confirma pré-eclâmpsia. Não existem sinais maternos de gravidade: a pressão não alcança 160 por 110 mmHg, plaquetas estão acima de 100.000, creatinina é menor que 1,1 mg/dL, transaminases não estão duplicadas e não há edema pulmonar, dor persistente em hipocôndrio direito, cefaleia refratária ou alteração visual.
A relação umbílico-cerebral menor que 1 indica redistribuição fetal e exige vigilância obstétrica, mas, sem restrição de crescimento ou outro comprometimento descrito, não transforma isoladamente o diagnóstico materno em pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. A placenta grau III também não é critério diagnóstico de gravidade.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Eclâmpsia exige convulsão de início relacionado à pré-eclâmpsia, ausente na paciente assintomática.
B) Incorreta. Pré-eclâmpsia sobreposta ocorre em paciente com hipertensão crônica prévia ou diagnosticada antes de 20 semanas. O enunciado descreve primigesta sem antecedente hipertensivo.
C) Incorreta. Não há pressão grave, plaquetas abaixo de 100.000, lesão renal, hepática, pulmonar ou sintomas neurológicos. A alteração Doppler pede monitorização fetal, mas não preenche sozinha os critérios maternos clássicos de gravidade.
D) Correta (gabarito). Hipertensão após 20 semanas com proteinúria e sem critérios de gravidade define pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade.