Adolescente de 13 anos, com anemia falciforme (HbSS), foi levado ao atendimento na emergência, apresentando febre de 38,5°C, dor torácica à direita, dispneia progressiva e tosse seca há dois dias. A saturação de oxigênio estava em 88% em ar ambiente. Ao exame físico, notava-se taquipneia, estertores crepitantes na base pulmonar direita e dor torácica. Não havia sinais de congestão jugular ou edema periférico. Os exames laboratoriais revelaram hemoglobina de 7,8g/dL, leucocitose com predomínio de neutrófilos e gasometria arterial com PaO2 reduzida e acidose respiratória leve. A radiografia de tórax mostrava infiltrado alveolar na base direita. As hemoculturas estavam em andamento.
Infiltrado novo mais febre ou sintoma respiratório em doença falciforme é síndrome torácica aguda.
Trate cedo com oxigênio, antibiótico para típicos e atípicos, analgesia, hidratação sem excesso e espirometria de incentivo.
Transfusão simples ajuda em anemia ou hipoxemia; troca transfusional é para progressão grave ou hipoxemia refratária.
Hiperidratação e sedação excessiva pioram a ventilação e são pegadinhas recorrentes.
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Contexto
Na anemia falciforme, novo infiltrado pulmonar associado a febre e sintomas respiratórios define síndrome torácica aguda. A adolescente apresenta todos os elementos: dor torácica, tosse, dispneia, hipoxemia de 88 por cento, estertores e infiltrado alveolar novo. Infecção, vaso-oclusão pulmonar, hipoventilação por dor, atelectasia e embolia gordurosa podem atuar isoladamente ou em conjunto.
A saturação baixa, a acidose respiratória e a anemia justificam avaliação transfusional imediata. Transfusão simples reduz a proporção relativa de HbS e melhora a capacidade de transporte de oxigênio. Troca transfusional é indicada se houver hipoxemia persistente apesar de oxigênio, progressão rápida, infiltrados multilobares ou deterioração clínica. Corticosteroide não é rotina porque pode aumentar recorrência de dor após suspensão, embora tenha papel em situações selecionadas, como asma concomitante.
Alternativa por alternativa
a) Incorreta. Oxigênio, transfusão e analgesia são pertinentes, mas pulso de corticoide não é tratamento padrão e hiperidratação aumenta risco de congestão e piora pulmonar.
b) Correta (gabarito). A alternativa reúne os pilares: oxigênio, antibiótico de amplo espectro com cobertura de típicos e atípicos, transfusão conforme gravidade, hidratação criteriosa e analgesia opioide.
c) Incorreta. Intubação é reservada a falência ventilatória ou hipoxemia refratária, não uma medida automática inicial. Corticoide em pulso, hiperidratação e sedação com fentanil sem objetivo analgésico monitorado podem agravar hipoventilação.
d) Incorreta. Bicarbonato não trata acidose respiratória causada por retenção de dióxido de carbono e pode aumentar a carga de CO2. A alternativa também omite oxigênio e transfusão e privilegia sedação e AINE em paciente hipoxêmico.