Pacientes politraumatizados em choque hemorrágico podem necessitar de um grande volume de transfusões num curto período. Como resultado, pode haver o acúmulo de substâncias presentes em cada bolsa que alterem a homeostasia do paciente.
A pegadinha é pensar apenas em potássio da bolsa: na transfusão maciça, citrato derruba cálcio ionizado.
Hipocalcemia piora simultaneamente coagulação, pressão arterial e contratilidade.
Monitore cálcio ionizado, pois cálcio total pode não refletir a alteração aguda.
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Contexto
Hemocomponentes contêm citrato para impedir coagulação durante armazenamento. Em transfusão maciça ou muito rápida, a carga de citrato pode ultrapassar a capacidade de metabolização hepática e quelar cálcio ionizado. Hipotermia, choque e disfunção hepática aumentam esse risco.
O cálcio ionizado é necessário para múltiplas etapas da cascata de coagulação, agregação plaquetária, contratilidade miocárdica e tônus vascular. Sua redução contribui para coagulopatia, hipotensão, prolongamento do QT e arritmias, integrando o ciclo de sangramento, hipotermia, acidose e hipocalcemia.
A Diretriz Europeia de Sangramento e Coagulopatia no Trauma de 2023 recomenda monitorar cálcio ionizado durante transfusão maciça e mantê-lo em faixa normal, com reposição de cloreto de cálcio ou gluconato conforme acesso e contexto clínico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Citrato é metabolizado em bicarbonato e não causa tipicamente hipernatremia com acidose metabólica. O choque pode causar acidose láctica por outro mecanismo.
B) Incorreta. O citrato reduz o cálcio ionizado, não provoca hipercalcemia. Arritmias podem ocorrer justamente pela hipocalcemia.
C) Correta (gabarito). A quelação do cálcio causa hipocalcemia e compromete a coagulação, além de reduzir contratilidade e estabilidade elétrica.
D) Incorreta. Citrato também pode quelar magnésio, favorecendo hipomagnesemia, e não hipermagnesemia.