Pré-escolar de 3 anos é levado à emergência com quadro febril persistente há mais de cinco dias. Ao exame físico, apresenta conjuntivite sem exsudato, "língua em morango", exantema polimorfo, e eritema palmar com edema em mãos e pés. Foram solicitados exames laboratoriais que revelaram leucocitose com neutrofilia e elevação das transaminases séricas.
Kawasaki clássico é febre prolongada mais quatro de cinco critérios mucocutâneos; o tratamento é IVIG mais AAS.
Ecocardiograma deve ser feito no diagnóstico, mas exame normal inicial não exclui alteração coronariana posterior.
Transaminases elevadas são achado de suporte, não critério principal.
A incidência em prova se concentra no risco de aneurisma coronariano e na necessidade de tratar sem esperar descamação.
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Contexto
Febre por mais de cinco dias associada a conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações orais, exantema polimorfo e alterações de mãos e pés preenche o fenótipo clássico da doença de Kawasaki. A linfadenopatia cervical é o quinto critério principal, mas não é necessária quando quatro dos cinco estão presentes. Leucocitose neutrofílica e elevação de transaminases são achados de suporte, não critérios obrigatórios.
A American Heart Association, em orientação revisada em 2025, mantém hospitalização, imunoglobulina IV, aspirina e ecocardiografia como pilares. A imunoglobulina deve ser administrada idealmente nos primeiros dez dias, e também depois desse período se houver febre ou inflamação persistente. Corticosteroide pode ser acrescentado em pacientes de alto risco ou refratários, mas não substitui a imunoglobulina como regra inicial.
Alternativa por alternativa
a) Correta (gabarito). Imunoglobulina IV e aspirina tratam a inflamação e reduzem complicações coronarianas. O ecocardiograma deve ser realizado prontamente para documentar o estado das coronárias e servir de referência para o seguimento.
b) Incorreta. Antibiótico de amplo espectro não trata a vasculite de Kawasaki, e ultrassonografia abdominal não avalia a principal complicação. Corticosteroide isolado não é o esquema padrão para a maioria dos casos.
c) Incorreta. Aspirina pode permanecer em baixa dose por aproximadamente seis a oito semanas se as coronárias forem normais, mas a alternativa omite a imunoglobulina e inclui tomografia de crânio sem indicação. Corticosteroide não é universal.
d) Incorreta. O quadro não sugere meningite bacteriana nem outra infecção que justifique antibiótico amplo e líquor. AINE comum não substitui imunoglobulina e aspirina na prevenção de lesão coronariana.