Um menino de 8 anos, previamente saudável, é levado ao serviço de emergência com dor intensa em joelho esquerdo, febre de 38,9°C e claudicação. A avaliação inicial revelou leucocitose com neutrofilia, proteína C reativa (PCR) de 98mg/L e velocidade de hemossedimentação (VHS) de 104mm/h. A RM confirmou osteomielite aguda em metáfise distal do fêmur. Iniciou-se antibioticoterapia empírica com oxacilina endovenosa. Após dez dias, o paciente evoluiu com melhora clínica significativa, sem febre, e com deambulação sem dor. Os exames laboratoriais mostraram PCR = 5mg/L, VHS = 42mm/h e leucócitos = 7.800/mm3.
A pegadinha é confundir tratamento total com tempo de via venosa: a criança ainda precisa de antibiótico, mas não precisa permanecer internada recebendo medicação EV.
PCR acompanha resposta precoce; VHS demora mais para normalizar e não deve, sozinha, bloquear o switch.
RM de controle não é rotina em boa evolução; imagem persistente não equivale a infecção ativa.
As bancas repetem o recorte melhora clínica mais queda da PCR como autorização para via oral e alta.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A evolução é de osteomielite aguda hematogênica não complicada com resposta adequada: após dez dias de oxacilina, a criança está afebril, voltou a caminhar sem dor, normalizou a contagem de leucócitos e reduziu a PCR de 98 para 5 mg/L. A PCR cai rapidamente e é o marcador mais útil para acompanhar a resposta inicial; a VHS costuma permanecer elevada por mais tempo, de modo que 42 mm/h, isoladamente, não obriga a manter a via venosa.
A diretriz PIDS/IDSA de 2021 recomenda, em crianças que respondem bem ao tratamento e dispõem de antimicrobiano oral ativo, trocar precocemente a via intravenosa pela oral, em vez de prolongar terapia parenteral apenas por tradição. Antes da troca, devem estar presentes melhora clínica sustentada, capacidade de ingerir e absorver o medicamento, ausência de complicação que exija drenagem e opção oral com espectro adequado ao agente provável ou identificado. Em casos não complicados por Staphylococcus aureus, o tratamento total costuma ser de aproximadamente três a quatro semanas, individualizado pela evolução e pelo microrganismo.
A ressonância não serve como teste de cura rotineiro. Alterações de edema medular e realce podem persistir por semanas ou meses, apesar de resolução clínica, e podem induzir tratamento excessivo. Nova imagem é reservada a ausência de resposta, piora, suspeita de abscesso, necessidade cirúrgica, recorrência ou evolução para doença crônica.
Alternativa por alternativa
a) Incorreta. Repetir a RM em uma criança com melhora clínica e laboratorial consistente não acrescenta benefício. A imagem pode continuar anormal mesmo com infecção controlada; ela seria indicada diante de resposta inadequada, recaída ou suspeita de complicação.
b) Incorreta. O desaparecimento dos sintomas autoriza mudar a via, não encerrar o tratamento no décimo dia. Suspensão antes de completar o curso adequado aumenta o risco de recaída, abscesso residual e cronificação.
c) Correta (gabarito). A combinação de melhora clínica, queda expressiva da PCR, normalização dos leucócitos e tolerância à via oral permite transição para antibiótico oral, alta e seguimento ambulatorial, completando o tempo total planejado.
d) Incorreta. Quatro a seis semanas obrigatoriamente por via venosa não é exigência atual para osteomielite hematogênica pediátrica não complicada. Terapia parenteral prolongada aumenta complicações de cateter e internação sem melhorar desfechos quando existe opção oral eficaz.