Sobre as neoplasias de esôfago,
Pegadinha central: álcool e tabaco lembram carcinoma escamoso; refluxo, Barrett e obesidade lembram adenocarcinoma.
Ecoendoscopia responde principalmente T e N; TC e PET têm papel importante na avaliação sistêmica.
Não metastático não significa cirurgia imediata: o tratamento pode ser endoscópico, neoadjuvante, perioperatório ou cirúrgico conforme o estágio.
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Contexto
Os dois principais tipos histológicos de câncer de esôfago têm perfis de risco diferentes. Tabagismo e consumo de álcool são fatores clássicos do carcinoma escamoso. O adenocarcinoma associa-se sobretudo a refluxo gastroesofágico crônico, esôfago de Barrett, obesidade e sexo masculino.
O tratamento é determinado pelo estágio, histologia, localização, condição clínica e ressecabilidade. Ausência de metástase à distância não significa cirurgia imediata em todos os casos. Lesões muito precoces podem receber tratamento endoscópico; doença localmente avançada ressecável frequentemente exige estratégia multimodal com quimioterapia perioperatória ou quimiorradioterapia neoadjuvante, dependendo do cenário, seguida de cirurgia quando indicada.
A ultrassonografia endoscópica, ou ecoendoscopia, é particularmente útil para estadiamento locorregional T e N. Ela permite avaliar as camadas da parede esofágica e a profundidade de invasão, além de estudar linfonodos regionais e possibilitar punção de linfonodos suspeitos em situações selecionadas. O NCI, em atualização de 2025, mantém a ecoendoscopia entre os métodos de estadiamento e descreve maior acurácia para profundidade tumoral e avaliação nodal do que a tomografia isolada em muitos cenários.
No esôfago de Barrett com displasia de baixo grau confirmada, a conduta moderna privilegia confirmação histológica por patologista experiente e terapia endoscópica de erradicação ou vigilância em casos selecionados. Esofagectomia profilática não é tratamento rotineiro da displasia de baixo grau.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Álcool e tabagismo têm relação muito mais forte com carcinoma escamoso. Para adenocarcinoma, pense em refluxo crônico, Barrett e obesidade.
B) Incorreta. A ausência de metástase não obriga cirurgia como primeiro tratamento. Tumores localmente avançados frequentemente recebem terapia neoadjuvante ou perioperatória, e tumores muito superficiais podem ser tratados endoscopicamente.
C) Incorreta. Displasia de baixo grau em Barrett não indica esofagectomia profilática de rotina. A abordagem atual é endoscópica ou vigilância selecionada após confirmação diagnóstica.
D) Correta (gabarito). A ecoendoscopia avalia com precisão a profundidade de invasão da parede esofágica e os linfonodos regionais, sendo método importante para estadiamento locorregional.