A taxa de letalidade associada à doença meningocócica invasiva é elevada. A maioria das mortes ocorre dentro das primeiras 48 horas de hospitalização.
A pegadinha é que rash muito recente pode ser pior que rash antigo: petéquias com menos de 12 horas sugerem velocidade extrema de progressão.
Meningococcemia fulminante mata por choque, lesão endotelial e coagulopatia, muitas vezes antes de um quadro meníngeo exuberante se estabelecer.
Na doença fulminante, leucopenia ou leucograma pouco reativo pode ser sinal pior do que leucocitose.
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Contexto
A doença meningocócica invasiva pode assumir formas de meningite, meningococcemia ou combinação das duas. O quadro de pior evolução é frequentemente a meningococcemia fulminante, na qual endotoxemia intensa desencadeia disfunção endotelial, extravasamento capilar, ativação maciça da coagulação, coagulação intravascular disseminada, choque e púrpura fulminante. A velocidade de progressão clínica é um marcador prognóstico importante.
Escores prognósticos pediátricos clássicos para infecção meningocócica consideram desfavoráveis achados como petéquias de aparecimento muito recente, especialmente em menos de 12 horas, choque, leucograma normal ou com leucopenia e ausência de meningite. A lógica é contraintuitiva: uma resposta inflamatória periférica exuberante com leucocitose não é necessariamente o pior sinal; na sepse fulminante, consumo, marginação e falência de resposta medular podem produzir contagem normal ou baixa de leucócitos.
A meningite isolada ou associada não é o fenótipo mais letal quando comparada à septicemia fulminante sem sinais meníngeos. A presença de rash petequial ou purpúrico que se multiplica rapidamente, junto de sinais de má perfusão, hipotensão, alteração do nível de consciência ou coagulopatia, exige abordagem imediata como emergência séptica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Temperatura normal isoladamente não é o fator prognóstico clássico cobrado. Hipotermia pode acompanhar sepse grave, mas a redação ampla de ausência de qualquer anormalidade térmica não tem o mesmo valor discriminatório da evolução petequial rapidamente progressiva.
B) Incorreta. Comprometimento meníngeo não representa o marcador de pior prognóstico entre as opções. Historicamente, ausência de meningite em uma apresentação predominantemente septicêmica associa-se a quadros mais fulminantes.
C) Correta (gabarito). Petéquias surgidas há menos de 12 horas traduzem progressão muito rápida da doença e são marcador clássico de pior prognóstico na infecção meningocócica invasiva.
D) Incorreta. Leucocitose não é o achado hematológico clássico de pior prognóstico. Contagem leucocitária normal ou baixa, especialmente leucopenia em contexto de choque, é mais preocupante por sugerir sepse fulminante.