M., 23 anos, solteira, vem ao consultório para realizar consulta de revisão. Ela tem um bebê de dois meses de idade e diz que “não vai dar conta das exigências maternas”. Sente-se sozinha e desamparada. Apresenta, desde então, disforia, anedonia, insônia e ansiedade. Sem outras alterações clínicas.
Pegadinha central: blues dura dias e melhora em até 2 semanas; sintomas por meses com anedonia apontam para depressão.
Psicose puerperal é emergência e exige procurar delírios, alucinações, mania e desorganização.
Em depressão pós-parto, sempre investigue suicídio, autoagressão e pensamentos de dano ao bebê.
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Contexto
Depressão perinatal inclui episódios depressivos que surgem durante a gestação ou no período pós-parto. O ACOG descreve depressão pós-parto como quadro de tristeza, ansiedade ou desesperança intensas capazes de prejudicar as atividades cotidianas. A paciente apresenta há dois meses disforia, anedonia, insônia, ansiedade e sensação de incapacidade para lidar com a maternidade, duração e gravidade incompatíveis com o chamado blues pós-parto.
A anedonia é especialmente útil para reconhecer síndrome depressiva. Em toda paciente com suspeita de depressão pós-parto devem ser avaliados ideação suicida, pensamentos de autoagressão ou de dano ao bebê, sintomas de mania ou hipomania e psicose. A presença de psicose puerperal exige avaliação psiquiátrica imediata e proteção da mãe e da criança.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Blues pós-parto é transitório, começa poucos dias após o nascimento e costuma desaparecer espontaneamente em até 1 a 2 semanas. Sintomas persistindo por dois meses, com anedonia e prejuízo significativo, ultrapassam esse quadro.
B) Incorreta. Psicose puerperal envolve perda do contato com a realidade, com delírios, alucinações, comportamento desorganizado ou sintomas maniformes. Nada disso foi descrito.
C) Correta (gabarito). A duração por semanas, anedonia, disforia, ansiedade, insônia e percepção de incapacidade materna são compatíveis com depressão no período perinatal, devendo-se quantificar gravidade e avaliar risco de suicídio e segurança do bebê.
D) Incorreta. Transtorno disfórico pós-parto não é a categoria diagnóstica correspondente ao quadro. Transtorno disfórico pré-menstrual é uma condição cíclica relacionada à fase lútea, completamente diferente desta apresentação puerperal.