Abdome agudo: abordagem diagnóstica

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Questão 55
UFCSPA · 2022

Sobre o diagnóstico diferencial de apendicite aguda, analisar os itens abaixo: 

I. Em crianças, pode ser considerado como diagnóstico diferencial de: adenite mesentérica (frequentemente observada após uma doença viral recente), gastroenterite aguda, intussuscepção intestinal, diverticulite de Meckel, doença inflamatória intestinal e torção testicular. 

II. Em mulheres, temos que diferenciar da ruptura de cistos ovarianos, Mittelschmerz (dor da ovulação), endometriose, torção ovariana, gravidez ectópica e doença inflamatória pélvica. 

III. Em idosos, deve-se pensar em diverticulite aguda e doenças malignas.

Estão CORRETOS:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Apendicite aguda é um diagnóstico clínico-radiológico cujo diferencial muda conforme idade, sexo e contexto. O padrão clássico de dor que migra para fossa ilíaca direita, anorexia, náusea e sinais de irritação peritoneal não está presente em todos os pacientes, especialmente nos extremos de idade e em apresentações iniciais.

Na criança, adenite mesentérica após infecção viral, gastroenterite, intussuscepção, divertículo de Meckel inflamado, doença inflamatória intestinal e causas geniturinárias, incluindo torção testicular, podem mimetizar apendicite. O exame genital faz parte da avaliação de meninos com dor abdominal aguda porque uma torção testicular pode apresentar-se predominantemente como dor abdominal.

Em mulheres em idade reprodutiva, gravidez deve ser pesquisada quando aplicável e causas ginecológicas precisam ser consideradas: gravidez ectópica, doença inflamatória pélvica, torção anexial, ruptura de cisto ovariano, endometriose e dor ovulatória. Em idosos, a apresentação da apendicite pode ser menos típica, enquanto diverticulite e neoplasias colorretais ganham importância. A idade elevada também aumenta o risco de complicação e de diagnóstico tardio.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Os itens I e II estão corretos, mas o III também. Em idosos, diverticulite e neoplasias devem integrar ativamente o diagnóstico diferencial de dor em quadrante inferior direito.

B) Incorreta. Os itens II e III são verdadeiros, porém o item I também é. Crianças podem apresentar uma ampla variedade de condições infecciosas, intestinais e geniturinárias que mimetizam apendicite.

C) Incorreta. Os itens I e III são adequados, mas não se pode excluir o II. Em mulheres, causas ginecológicas agudas são diagnósticos diferenciais essenciais porque algumas exigem tratamento urgente e podem apresentar dor semelhante.

D) Correta (gabarito). Todos os itens estão corretos. A lista de diferenciais deve ser adaptada ao perfil do paciente, com ênfase em adenite e intussuscepção na infância, causas ginecológicas em mulheres e diverticulite ou neoplasia em idosos.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: diagnóstico diferencial de apendicite muda com idade e sexo, não é uma lista fixa.

  • Menino com dor abdominal também precisa de exame testicular; torção pode se apresentar como abdome agudo.

  • Mulher em idade fértil com dor abdominal: lembre gravidez ectópica e torção anexial antes de atribuir tudo ao apêndice.

  • No idoso, mantenha limiar baixo para imagem e pense em neoplasia e diverticulite.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Abdome agudo: abordagem diagnóstica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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