Criança de três anos de idade chega à emergência em quadro pós-ictal de crise convulsiva.
Pegadinha central: a indicação urgente de imagem vem do que acontece depois da crise: não voltar ao basal é muito mais preocupante do que ser a primeira crise.
Crise febril simples não pede tomografia de rotina.
Déficit focal persistente, status epilepticus, trauma, sinais de hipertensão intracraniana e alteração mental persistente aumentam a indicação de neuroimagem.
Se estável, ressonância costuma ser preferível; tomografia é útil quando rapidez é determinante ou a ressonância não está disponível.
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Contexto
Após uma crise convulsiva, a pergunta decisiva para neuroimagem urgente não é apenas se foi a primeira crise, se houve febre ou se a crise foi generalizada. O principal ponto é saber se a criança retorna ao seu estado neurológico basal. Alteração persistente do nível de consciência além do período pós-ictal esperado sugere possibilidade de lesão estrutural, hemorragia, edema, hidrocefalia, infecção do sistema nervoso central, intoxicação ou outro processo que exija investigação urgente.
A política da American Academy of Pediatrics de 2024 sobre imagem avançada no pronto atendimento reforça que neuroimagem emergencial não é necessária na crise febril simples e pode ser dispensada em criança com crise afebril generalizada que retornou ao basal e tem exame neurológico normal. Em contrapartida, deve haver baixo limiar para imagem em status epilepticus, déficit focal, trauma, condições predisponentes ou ausência de retorno ao estado neurológico basal.
Quando neuroimagem é necessária e a criança está estável, a ressonância magnética costuma ser preferida por maior sensibilidade e ausência de radiação. A tomografia tem papel no cenário de urgência quando é preciso obter imagem rapidamente, quando a ressonância não está prontamente disponível ou quando se busca excluir de forma rápida hemorragia, hidrocefalia ou efeito de massa.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Primeira crise epiléptica não é indicação automática de tomografia urgente. Se a criança tem mais de 6 meses, crise generalizada, exame normal e retorna ao basal, a imagem pode ser programada de forma não urgente conforme o contexto.
B) Incorreta. Generalização da crise, isoladamente, não define maior probabilidade de lesão intracraniana aguda. O dado discriminador é a recuperação clínica e a presença ou ausência de sinais de alarme.
C) Incorreta. Crise febril simples não exige neuroimagem de rotina. Imagem passa a ser considerada quando há achados atípicos ou sinais que sugiram outra etiologia.
D) Correta (gabarito). Pós-ictal prolongado representa ausência de recuperação neurológica esperada e é sinal de alarme para investigação urgente, incluindo neuroimagem conforme a estabilidade e a disponibilidade do serviço.