Doença venosa: TVP e varizes

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Questão 82
UFCSPA · 2022

Considerando-se o tromboembolismo venoso (TEV) e a dosagem de D-dímeros quantitativos (ELISA), analisar os itens abaixo: 

I. D-dímeros elevam-se na presença de trombose venosa profunda (TVP) e de embolia pulmonar (EP) devido à degradação da fibrina. 

II. Entre pacientes hospitalizados, os níveis de D-dímeros são frequentemente elevados devido às doenças sistêmicas associadas. 

III. É um teste com bom valor preditivo negativo (sensibilidade acima de 95% em EP). 

IV. Após avaliação e estratificação por escala de Wells, cuja pontuação foi compatível com alto risco para TEV, um teste de D-dímeros normal exclui a possibilidade de EP, e deve-se seguir a investigação, buscando outra causa para os sintomas.

Estão CORRETOS:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O D-dímero é um fragmento produzido pela degradação da fibrina estabilizada. Por isso, pode elevar-se quando existe formação e lise de trombo, como na trombose venosa profunda e na embolia pulmonar. O problema é que ele também aumenta em diversas condições sem tromboembolismo, como idade avançada, infecção, câncer, trauma, cirurgia, gravidez e doenças inflamatórias. Em pacientes hospitalizados, essa perda de especificidade é particularmente importante.

Testes quantitativos de alta sensibilidade, como ELISA, apresentam sensibilidade superior a 95% para embolia pulmonar em muitos cenários e, quando utilizados em pacientes com baixa ou intermediária probabilidade pré-teste, um resultado negativo tem grande valor para excluir o diagnóstico. O NICE, atualizado em 2023, mantém estratégia semelhante: D-dímero é usado principalmente quando a embolia pulmonar é classificada como improvável; quando a probabilidade clínica é alta, a investigação deve avançar diretamente para imagem.

Esse princípio decorre do raciocínio bayesiano. Quanto maior a probabilidade pré-teste, maior precisa ser a força de um resultado negativo para reduzir a probabilidade pós-teste até um nível seguro. Assim, em alta probabilidade clínica, um D-dímero normal não é suficiente para interromper a investigação de embolia pulmonar.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Os itens I e II estão corretos, mas o item III também. O D-dímero quantitativo de alta sensibilidade tem excelente valor para exclusão de embolia pulmonar quando aplicado à população clínica adequada.

B) Incorreta. O item I está correto, porém o IV é falso. Em paciente com alta probabilidade pelo Wells, um D-dímero normal não deve ser usado para abandonar a hipótese de embolia pulmonar.

C) Correta (gabarito). Os itens I, II e III são verdadeiros. D-dímero reflete degradação de fibrina, frequentemente está elevado em pacientes hospitalizados por outras doenças e possui alta sensibilidade e bom valor preditivo negativo quando empregado em baixa ou intermediária probabilidade pré-teste.

D) Incorreta. Inclui o item IV e exclui o item I. O erro decisivo é tratar D-dímero normal como prova suficiente para excluir embolia pulmonar em paciente de alto risco clínico.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: D-dímero serve melhor para excluir TEV em probabilidade baixa ou intermediária, não para confirmar doença.

  • Alta probabilidade pelo Wells: vá para exame de imagem, mesmo que o D-dímero seja normal.

  • D-dímero é sensível e pouco específico; hospitalização, infecção, câncer e idade elevada aumentam falsos positivos.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Doença venosa: TVP e varizes” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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