Sobre o diagnóstico de Diabete Melito (DM),
Pegadinha central: HbA1c de 6,5% ou mais diagnostica diabetes e não exige jejum.
Sem hiperglicemia inequívoca, confirme com dois resultados anormais, iguais ou de testes diferentes.
Hemólise, transfusão, hemoglobinopatias e outras alterações da sobrevida eritrocitária podem falsear HbA1c.
HbA1c serve tanto para diagnóstico quanto para acompanhamento quando o método e o paciente permitem interpretação válida.
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Contexto
Os Standards of Care in Diabetes da ADA 2026 mantêm a HbA1c igual ou superior a 6,5% como um dos critérios diagnósticos de diabetes em indivíduos não gestantes. O exame não exige jejum, mas deve ser realizado por método laboratorial padronizado e certificado. Outros critérios são glicemia de jejum de 126 mg/dL ou mais, glicemia de 2 horas de 200 mg/dL ou mais no TOTG de 75 g e glicemia plasmática casual de 200 mg/dL ou mais na presença de sintomas clássicos ou crise hiperglicêmica.
Na ausência de hiperglicemia inequívoca, a ADA exige confirmação por dois resultados anormais, que podem ser obtidos pelo mesmo teste em momentos diferentes ou por dois testes distintos. Portanto, não é correto afirmar que toda HbA1c elevada precisa ser repetida independentemente dos demais dados clínicos e laboratoriais.
A HbA1c reflete aproximadamente a exposição glicêmica dos últimos 2 a 3 meses e é útil tanto para diagnóstico quanto para acompanhamento. Entretanto, pode ser enganosa em situações que alteram a relação entre idade das hemácias e glicemia, como hemólise, transfusão recente, algumas hemoglobinopatias, deficiência de G6PD, tratamento com eritropoetina e outras condições. Nesses casos, os critérios baseados em glicose plasmática são preferidos.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). HbA1c de 6,5% ou mais é critério diagnóstico aceito pela ADA e pode ser colhida independentemente do jejum, desde que o método seja adequado e a necessidade de confirmação seja respeitada quando não houver hiperglicemia inequívoca.
B) Incorreta. A confirmação não significa obrigatoriamente repetir a própria HbA1c em todos os casos. Dois testes diferentes acima dos respectivos pontos de corte podem confirmar o diagnóstico, e hiperglicemia inequívoca com sintomas clássicos ou crise pode dispensar repetição.
C) Incorreta. A primeira parte é correta ao dizer que a HbA1c reflete a glicemia média dos últimos meses e serve para monitorização. O erro é afirmar que seu uso diagnóstico não é recomendado; a ADA 2026 mantém HbA1c de 6,5% ou mais como critério formal.
D) Incorreta. Alterações do turnover eritrocitário e hemoglobinopatias podem realmente produzir resultados espúrios, mas isso não invalida a HbA1c como critério diagnóstico em pessoas nas quais o teste é interpretável. Nessas situações específicas, prefere-se glicose plasmática.