Os casos de hemorragia digestiva oculta são definidos por ausência de lesões que expliquem o sangramento nos exames de endoscopia digestiva alta e ileocolonoscopia. Sobre esse assunto, analisar os itens abaixo:
I. A investigação com cintilografia com hemácias marcadas, angiotomografia e cápsula endoscópica requer algum grau de sangramento ativo para identificar a fonte de sangramento.
II. A principal causa de hemorragia digestiva oculta são erosões em intestino delgado.
III. A enteroscopia com duplo balão deve ser o primeiro exame a ser feito em casos de hemorragia digestiva oculta em paciente instável hemodinamicamente.
Pegadinha central: cápsula endoscópica pode achar a lesão mesmo sem sangramento ativo naquele instante.
Após EDA e colonoscopia negativas, pense em intestino delgado; angioectasia é causa clássica, sobretudo no idoso.
Instável com sangramento persistente: primeiro ressuscite e localize rapidamente a fonte, frequentemente com angiotomografia, não com enteroscopia profunda.
Na nomenclatura atual, prefira suspeita de sangramento do intestino delgado ao antigo rótulo de hemorragia obscura quando a origem provável é essa região.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O enunciado utiliza a expressão hemorragia digestiva oculta, mas a definição apresentada, sangramento sem fonte identificada após endoscopia digestiva alta e ileocolonoscopia adequadas, corresponde ao conceito historicamente chamado de hemorragia digestiva obscura. A terminologia moderna prefere falar em suspeita de sangramento do intestino delgado quando endoscopia alta e colonoscopia não encontram a fonte.
A diretriz da European Society of Gastrointestinal Endoscopy de 2022 recomenda a cápsula endoscópica como primeira investigação do intestino delgado na maioria dos pacientes estáveis com suspeita de sangramento dessa região. A cápsula não exige sangramento ativo no momento do exame, porque pode identificar angioectasias, úlceras, erosões, tumores e outras lesões que deixaram de sangrar. A realização mais próxima do episódio de sangramento manifesto aumenta o rendimento diagnóstico, mas atividade hemorrágica contínua não é requisito.
Angioectasias são causa frequente de sangramento do intestino delgado, particularmente em idosos. Em paciente com hemorragia ativa e instabilidade hemodinâmica, a prioridade é ressuscitação e localização rápida do foco. Diretrizes atuais favorecem angiotomografia em instabilidade com suspeita de sangramento persistente, seguida de abordagem radiológica ou cirúrgica conforme o achado. Enteroscopia assistida por dispositivo, incluindo duplo balão, é especialmente útil para confirmar e tratar lesões já localizadas, não como primeiro exame do paciente instável.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O item I é falso. Cintilografia com hemácias marcadas e angiotomografia têm maior utilidade quando existe sangramento ativo, mas a cápsula endoscópica pode demonstrar a lesão responsável mesmo quando o sangramento cessou.
B) Incorreta. Os itens I e III são falsos. A cápsula não depende obrigatoriamente de sangramento ativo, e enteroscopia de duplo balão não é o primeiro passo em instabilidade hemodinâmica.
C) Incorreta. O item II não descreve a principal causa de forma correta e o item III também está errado. Angioectasias são causas muito frequentes, e o paciente instável necessita primeiro de ressuscitação e localização rápida da hemorragia.
D) Correta (gabarito). Nenhum dos três itens está correto. A cápsula não requer sangramento ativo, erosões não são a causa principal universal e enteroscopia de duplo balão não é o exame inicial do paciente instável.