Sobre a doença do refluxo gastroesofágico no adulto, analisar os itens abaixo:
I. A endoscopia digestiva alta é o teste padrão-ouro para o diagnóstico.
II. A ausência de sintomas típicos, como pirose e regurgitação, não afasta o diagnóstico.
III. Sintomas clássicos de pirose retroesternal e regurgitação geralmente são suficientes para fundamentar o diagnóstico.
IV. O achado de hérnia de hiato, no exame endoscópico, confirma o diagnóstico.
Pegadinha central: hérnia de hiato favorece DRGE, mas não fecha diagnóstico.
Pirose e regurgitação típicas sem sinais de alarme permitem abordagem clínica inicial.
Endoscopia pode ser normal na DRGE; quando é preciso demonstrar refluxo objetivamente, a monitorização ambulatorial tem papel central.
Manifestações atípicas não excluem DRGE, mas exigem investigar diagnósticos concorrentes antes de atribuir tudo ao refluxo.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A doença do refluxo gastroesofágico pode ser diagnosticada inicialmente pela clínica quando há sintomas típicos, sobretudo pirose retroesternal e regurgitação, na ausência de sinais de alarme. O ACG 2022 recomenda, nesse cenário, abordagem clínica com teste terapêutico com inibidor de bomba de prótons. A ausência desses sintomas, entretanto, não exclui a doença, porque podem existir apresentações extraesofágicas ou menos típicas, embora elas exijam maior cautela diagnóstica.
A endoscopia digestiva alta não é um teste universalmente positivo nem o padrão-ouro isolado para DRGE: muitos pacientes têm refluxo com mucosa endoscopicamente normal. Ela é especialmente útil diante de sinais de alarme, fatores de risco e suspeita de complicações, além de poder fornecer evidência objetiva quando há esofagite típica. Quando é necessário comprovar refluxo em paciente sem evidência prévia conclusiva, a monitorização ambulatorial de refluxo tem papel central. O Consenso de Lyon 2.0, publicado em 2024, integra endoscopia e monitorização de refluxo conforme o fenótipo e a probabilidade pré-teste.
Hérnia de hiato favorece refluxo por alterar a barreira antirrefluxo, mas não confirma DRGE isoladamente. Ela pode existir sem sintomas e sem exposição ácida patológica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O item II é verdadeiro, mas o item I é falso. Endoscopia não é padrão-ouro universal para diagnóstico de refluxo, pois pode ser normal em pacientes com DRGE e não quantifica, sozinha, a exposição ao refluxo.
B) Correta (gabarito). O item II está correto porque a ausência de pirose e regurgitação não exclui DRGE. O item III também está correto porque sintomas típicos, em contexto apropriado e sem sinais de alarme, geralmente fundamentam o diagnóstico clínico inicial e a estratégia terapêutica empírica.
C) Incorreta. Inclui os itens I e IV. Endoscopia não é o padrão-ouro isolado, e hérnia hiatal é fator anatômico associado, não confirmação diagnóstica de DRGE.
D) Incorreta. Os itens II e III são verdadeiros, mas o item IV é falso. Identificar hérnia de hiato na endoscopia aumenta a plausibilidade de refluxo, porém não demonstra que os sintomas sejam causados por DRGE.