DRGE e doença ulcerosa péptica

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Questão 27
UFCSPA · 2022

Sobre a doença do refluxo gastroesofágico no adulto, analisar os itens abaixo: 

I. A endoscopia digestiva alta é o teste padrão-ouro para o diagnóstico. 

II. A ausência de sintomas típicos, como pirose e regurgitação, não afasta o diagnóstico. 

III. Sintomas clássicos de pirose retroesternal e regurgitação geralmente são suficientes para fundamentar o diagnóstico. 

IV. O achado de hérnia de hiato, no exame endoscópico, confirma o diagnóstico.

Estão CORRETOS:
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A doença do refluxo gastroesofágico pode ser diagnosticada inicialmente pela clínica quando há sintomas típicos, sobretudo pirose retroesternal e regurgitação, na ausência de sinais de alarme. O ACG 2022 recomenda, nesse cenário, abordagem clínica com teste terapêutico com inibidor de bomba de prótons. A ausência desses sintomas, entretanto, não exclui a doença, porque podem existir apresentações extraesofágicas ou menos típicas, embora elas exijam maior cautela diagnóstica.

A endoscopia digestiva alta não é um teste universalmente positivo nem o padrão-ouro isolado para DRGE: muitos pacientes têm refluxo com mucosa endoscopicamente normal. Ela é especialmente útil diante de sinais de alarme, fatores de risco e suspeita de complicações, além de poder fornecer evidência objetiva quando há esofagite típica. Quando é necessário comprovar refluxo em paciente sem evidência prévia conclusiva, a monitorização ambulatorial de refluxo tem papel central. O Consenso de Lyon 2.0, publicado em 2024, integra endoscopia e monitorização de refluxo conforme o fenótipo e a probabilidade pré-teste.

Hérnia de hiato favorece refluxo por alterar a barreira antirrefluxo, mas não confirma DRGE isoladamente. Ela pode existir sem sintomas e sem exposição ácida patológica.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. O item II é verdadeiro, mas o item I é falso. Endoscopia não é padrão-ouro universal para diagnóstico de refluxo, pois pode ser normal em pacientes com DRGE e não quantifica, sozinha, a exposição ao refluxo.

B) Correta (gabarito). O item II está correto porque a ausência de pirose e regurgitação não exclui DRGE. O item III também está correto porque sintomas típicos, em contexto apropriado e sem sinais de alarme, geralmente fundamentam o diagnóstico clínico inicial e a estratégia terapêutica empírica.

C) Incorreta. Inclui os itens I e IV. Endoscopia não é o padrão-ouro isolado, e hérnia hiatal é fator anatômico associado, não confirmação diagnóstica de DRGE.

D) Incorreta. Os itens II e III são verdadeiros, mas o item IV é falso. Identificar hérnia de hiato na endoscopia aumenta a plausibilidade de refluxo, porém não demonstra que os sintomas sejam causados por DRGE.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: hérnia de hiato favorece DRGE, mas não fecha diagnóstico.

  • Pirose e regurgitação típicas sem sinais de alarme permitem abordagem clínica inicial.

  • Endoscopia pode ser normal na DRGE; quando é preciso demonstrar refluxo objetivamente, a monitorização ambulatorial tem papel central.

  • Manifestações atípicas não excluem DRGE, mas exigem investigar diagnósticos concorrentes antes de atribuir tudo ao refluxo.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “DRGE e doença ulcerosa péptica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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