Delirium, demência e polifarmácia no idoso

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Questão 99
UFCSPA · 2022

O Miniexame do Estado Mental (MEEM) é um exame de rastreamento padronizado da função cognitiva. Em relação ao MEEM, analisar os itens abaixo: 

I. É um dos melhores métodos para documentar o estado mental atual do paciente, particularmente útil para comparar com escores futuros do mesmo exame. 

II. É o exame indicado para definir diagnóstico em fase inicial de demência. 

III. É o teste com melhor sensibilidade e especificidade para pacientes analfabetos.

Está(ão) CORRETO(S):
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O Miniexame do Estado Mental (MEEM) é um instrumento breve de rastreamento cognitivo e acompanhamento longitudinal. Ele avalia domínios como orientação temporal e espacial, registro e evocação, atenção e cálculo, linguagem e habilidades visuoconstrutivas. Seu valor é maior quando o resultado é interpretado no contexto clínico e, especialmente, quando escores sucessivos do mesmo paciente são comparados ao longo do tempo. O consenso da Academia Brasileira de Neurologia de 2022 sobre declínio cognitivo, comprometimento cognitivo leve e demência recomenda que a avaliação de pacientes com queixa cognitiva combine história clínica, avaliação funcional e teste cognitivo apropriado.

O MEEM não confirma nem exclui demência isoladamente. O diagnóstico sindrômico de demência exige declínio cognitivo adquirido com repercussão na independência funcional e deve considerar história com o paciente e informante, exame neurológico, avaliação funcional, causas potencialmente reversíveis e, conforme o caso, investigação laboratorial, neuroimagem e testes neuropsicológicos. Um resultado normal no MEEM não afasta comprometimento cognitivo inicial, particularmente em pessoas com alta escolaridade ou em apresentações que comprometem precocemente funções pouco exploradas pelo teste.

A escolaridade exerce influência importante sobre o desempenho no MEEM. No Brasil, estudos de validação demonstraram necessidade de pontos de corte diferentes conforme escolaridade, e indivíduos analfabetos podem ter desempenho artificialmente baixo em tarefas dependentes de leitura, escrita, cálculo e familiaridade com testes formais. Por isso, não é correto afirmar que o MEEM tenha a melhor sensibilidade e especificidade para analfabetos. Em populações de baixa escolaridade, instrumentos menos dependentes da educação formal, associados à avaliação funcional e ao relato de informante, podem oferecer melhor discriminação clínica.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Somente o item I está correto. O MEEM é adequado para documentar o desempenho cognitivo em um determinado momento e sua repetição permite observar mudança longitudinal, desde que se considerem escolaridade, condições clínicas e possíveis efeitos de aprendizagem.

B) Incorreta. O item II é falso. O MEEM é um teste de rastreamento e não um exame capaz de definir, sozinho, demência em fase inicial. O diagnóstico depende da demonstração de declínio cognitivo e repercussão funcional, além da avaliação etiológica apropriada.

C) Incorreta. Inclui o item II, que transforma um instrumento de rastreamento em teste diagnóstico definitivo. Um escore alterado aumenta a suspeita e justifica investigação, mas não estabelece por si só a síndrome demencial.

D) Incorreta. Inclui o item III. O MEEM sofre influência relevante da escolaridade e não é o instrumento de melhor desempenho universal em analfabetos. A interpretação nessa população exige ajuste ao contexto educacional e, frequentemente, associação com instrumentos menos dependentes de leitura e escrita.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: MEEM rastreia e acompanha, mas não fecha diagnóstico de demência sozinho.

  • Demência exige declínio cognitivo com repercussão funcional; teste cognitivo alterado sem perda de independência não basta para definir demência.

  • Escolaridade modifica fortemente o escore do MEEM. Em analfabetos, um resultado baixo pode refletir em parte o viés educacional do instrumento.

  • Na prova, pense no MEEM como uma fotografia cognitiva útil para comparação seriada, nunca como sentença diagnóstica isolada.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Delirium, demência e polifarmácia no idoso” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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