Em relação à trombose venosa profunda,
Pegadinha central: D-dímero é bom para excluir, não para confirmar, porque tem alta sensibilidade e baixa especificidade.
TVP provável ou alta probabilidade: vá para ultrassonografia, não tente resolver o caso apenas com D-dímero.
Veia que não colaba à compressão é o achado ultrassonográfico central de TVP.
Filtro de cava é exceção, não rotina; anticoagulação continua sendo a base do tratamento quando possível.
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Contexto
Trombose venosa profunda não pode ser confirmada apenas pela clínica porque dor, edema, empastamento e aumento de circunferência são inespecíficos. A investigação deve começar pela probabilidade pré-teste, frequentemente estimada pelo escore de Wells, e então selecionar D-dímero ou ultrassonografia conforme o risco.
A Diretriz Conjunta sobre Tromboembolismo Venoso 2022 recomenda ultrassonografia vascular como exame de imagem de primeira linha para TVP. O principal sinal ultrassonográfico é a perda da compressibilidade venosa. O exame completo com modo B, compressão e Doppler apresenta alta acurácia, especialmente nas tromboses proximais.
O D-dímero tem alta sensibilidade, próxima de 95% nos ensaios quantitativos de alta sensibilidade, mas baixa especificidade, porque também aumenta em câncer, inflamação, gravidez, trauma, cirurgia e envelhecimento. Por isso, seu maior valor é excluir TVP em paciente de baixa probabilidade clínica quando negativo, e não confirmar a doença quando positivo.
Filtro de veia cava não substitui anticoagulação e tem indicações restritas, principalmente quando existe tromboembolismo venoso agudo com contraindicação absoluta à anticoagulação ou circunstâncias muito selecionadas. Profilaxia hospitalar também deve ser baseada no balanço entre risco trombótico e hemorrágico; não é uma intervenção automática para todo internado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Filtro de veia cava não impede todos os episódios de embolia pulmonar e não deve ser implantado rotineiramente em toda trombose ilíaca. Em paciente que pode receber anticoagulação adequada, filtro de rotina não traz benefício que justifique seus riscos.
B) Correta (gabarito). História e exame físico isolados têm baixa especificidade. A confirmação objetiva é necessária conforme a probabilidade clínica, e a ultrassonografia vascular com compressão e Doppler é o principal exame de imagem para TVP de membros inferiores.
C) Incorreta. Nem todo paciente internado precisa de profilaxia farmacológica. O risco de TEV deve ser confrontado com risco de sangramento, mobilidade, diagnóstico e duração da internação; alguns pacientes recebem apenas medidas não farmacológicas ou mobilização.
D) Incorreta. D-dímero é sensível, mas pouco específico. Um resultado positivo não confirma TVP; um resultado negativo em paciente de baixa probabilidade pré-teste é que possui grande utilidade para excluir o diagnóstico.