Paciente de 51 anos procura ambulatório de climatério solicitando uso de terapia de reposição hormonal (TRH) por estar apresentando insônia, episódios de calor intenso e alterações de humor. Quando questionada a respeito de outras doenças, relata hipertensão arterial sistêmica (HAS) bem controlada e história de câncer de mama aos 48 anos, tendo realizado apenas radioterapia adjuvante à cirurgia, sem necessidade de quimioterapia.
Pegadinha central: trocar estrogênio oral por transdérmico não elimina a contraindicação oncológica da terapia sistêmica.
Progestagênio protege endométrio, não protege contra recorrência de câncer de mama.
Fogachos após câncer de mama devem ser manejados prioritariamente com estratégias não hormonais.
Estrogênio vaginal de baixa dose para síndrome geniturinária é outra discussão e pode ser considerado em casos selecionados após decisão compartilhada.
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Contexto
A paciente apresenta sintomas vasomotores do climatério, mas tem antecedente pessoal de câncer de mama aos 48 anos. Para sobreviventes de câncer de mama, terapia hormonal sistêmica do climatério geralmente é contraindicada ou evitada, porque estrogênio sistêmico, isolado ou associado a progestagênio, pode estimular tecido tumoral hormônio-sensível e há preocupação com recorrência.
Essa restrição independe da via usada para atingir efeito sistêmico. Estrogênio transdérmico reduz alguns riscos trombóticos em comparação com a via oral, mas isso não elimina a preocupação oncológica. A ausência de quimioterapia prévia também não significa que o tumor fosse biologicamente seguro para exposição hormonal. O histórico anatomopatológico e os receptores tumorais devem ser revisados, mas não se oferece TRH sistêmica rotineiramente apenas porque a paciente terminou o tratamento.
Para fogachos, insônia e alterações do humor, devem ser discutidas alternativas não hormonais e individualizadas. Entre as possibilidades farmacológicas estão determinados ISRS ou IRSN, gabapentina e outros agentes conforme sintomas, comorbidades, interações e tratamento oncológico prévio ou atual. Se houver sintomas geniturinários, hidratantes e lubrificantes são primeira linha; estrogênio vaginal de baixa dose pode ser considerado em situações selecionadas após falha de medidas não hormonais e discussão compartilhada com a equipe oncológica, o que é diferente de TRH sistêmica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Estrogênio sistêmico por via oral permanece inadequado diante do antecedente pessoal de câncer de mama. Baixa dose não elimina a preocupação com recorrência e, se a paciente tiver útero, estrogênio sistêmico isolado ainda acrescentaria risco endometrial.
B) Incorreta. Acrescentar progestagênio protege o endométrio da estimulação estrogênica, mas não neutraliza a contraindicação oncológica da terapia hormonal sistêmica em uma sobrevivente de câncer de mama.
C) Incorreta. A via transdérmica modifica principalmente o perfil de primeira passagem hepática e risco tromboembólico. Ela não transforma a exposição hormonal sistêmica em opção rotineiramente segura após câncer de mama.
D) Correta (gabarito). A paciente deve receber orientação sobre opções não hormonais e manejo individualizado, porque o antecedente de câncer de mama torna a terapia hormonal sistêmica do climatério inadequada na abordagem habitual.