P.M.S., G2P1, 11 semanas pela data da última menstruação (DUM), vem trazer ecografia em consulta na Unidade Básica de Saúde com o seguinte laudo: “útero gravídico contendo saco gestacional regular em seu interior. Visualizado embrião com CCN de 9mm, sem evidência de atividade cardíaca.”
Pegadinha central: CCN de 7 mm ou mais sem batimento cardíaco já define perda gestacional.
Critério diagnóstico preenchido significa que não é necessário repetir ultrassom apenas para confirmar inviabilidade.
Diagnóstico de abortamento retido não significa curetagem obrigatória: expectante, medicamentoso e cirúrgico podem ser opções em paciente estável.
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Contexto
Na ultrassonografia transvaginal da gestação inicial, a ausência de atividade cardíaca em embrião suficientemente grande permite diagnóstico de perda gestacional sem necessidade de aguardar evolução. Critérios ultrassonográficos conservadores consideram comprimento cabeça-nádegas de 7 mm ou mais sem atividade cardíaca diagnóstico de gestação inviável. Neste caso, o CCN é de 9 mm e não há batimentos, portanto o diagnóstico de gestação interrompida está estabelecido.
O ponto mais importante é separar diagnóstico de tratamento. Não há necessidade de repetir a ecografia em duas semanas apenas para confirmar viabilidade quando esse critério já foi preenchido. Entretanto, diretrizes atuais reconhecem três estratégias possíveis para perda gestacional inicial em paciente estável e sem infecção ou hemorragia grave: manejo expectante, tratamento medicamentoso e esvaziamento cirúrgico. A escolha depende da apresentação clínica, disponibilidade, contraindicações e preferência informada da paciente.
Assim, o gabarito D deve ser mantido porque é a única alternativa que reconhece corretamente a gestação interrompida sem acrescentar antibioticoterapia injustificada. A redação da prova, contudo, é mais intervencionista que a prática contemporânea: esvaziamento uterino não precisa ser cirúrgico nem imediato em toda paciente estável.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Não se trata apenas de gestação inicial em evolução. CCN de 9 mm sem atividade cardíaca ultrapassa o ponto de corte diagnóstico de perda gestacional.
B) Incorreta. Repetir a ecografia é apropriado quando os achados ainda são duvidosos, mas não quando um critério definitivo já foi alcançado. Esperar duas semanas apenas prolongaria a incerteza.
C) Incorreta. O diagnóstico de gestação interrompida está correto, mas antibioticoterapia não é indicada rotineiramente na ausência de sinais de infecção. Além disso, esvaziamento imediato não é obrigatório em toda paciente clinicamente estável.
D) Correta (gabarito). A alternativa reconhece corretamente a perda gestacional e encaminha para manejo uterino. Pela prática atual, o encaminhamento deve incluir aconselhamento e escolha entre manejo expectante, medicamentoso ou cirúrgico quando não há urgência clínica.