Lactente de um mês de vida, sexo masculino, vem à consulta por apresentar vômitos frequentes após as mamadas. Sintomatologia teria se intensificado nesta última semana. Permanece ativo, apirético, com a sensação referida pela mãe de que quer continuar se alimentando, mesmo após o vômito. Perdeu peso nas últimas duas semanas. Pediatra encaminha para o hospital com hipótese de estenose hipertrófica de piloro. Alinhada a essa possibilidade,
A pegadinha central é simples: vomitou ácido gástrico, perdeu H+ e Cl-, então fez alcalose hipoclorêmica.
Lactente de 3 a 6 semanas, vômito não bilioso progressivo, fome após vomitar e perda ponderal deve lembrar estenose hipertrófica do piloro.
Na forma clássica, acrescente hipocalemia; em depleção importante pode aparecer acidúria paradoxal.
A cirurgia é definitiva, mas primeiro se corrige volume e eletrólitos.
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Contexto
A estenose hipertrófica do piloro costuma manifestar-se entre a terceira e a sexta semana de vida, sobretudo em meninos, com vômitos não biliosos progressivamente mais intensos após as mamadas. Como a obstrução é proximal à ampola de Vater, o conteúdo vomitado é gástrico e não contém bile. O lactente frequentemente permanece com fome após vomitar, característica clássica do quadro. A American Academy of Pediatrics descreve como alteração típica a alcalose metabólica hipoclorêmica e hipocalêmica.
O mecanismo fecha a questão: cada episódio de vômito elimina ácido clorídrico, portanto há perda de H+ e Cl-. A perda de H+ eleva o bicarbonato sérico e produz alcalose metabólica; a perda de cloro produz hipocloremia. Com a progressão da desidratação, a contração do volume extracelular ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, favorecendo perda renal de potássio. Em casos avançados, pode ocorrer acidúria paradoxal: apesar da alcalose sistêmica, o rim elimina H+ para reter sódio em um contexto de hipovolemia e depleção de potássio.
A confirmação diagnóstica costuma ser feita por ultrassonografia. A piloromiotomia é o tratamento definitivo, mas a correção da desidratação e dos distúrbios hidroeletrolíticos precede a cirurgia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Vômitos de conteúdo gástrico retiram ácido do organismo, portanto o distúrbio clássico é alcalose, não acidose. Acidose metabólica hipoclorêmica não corresponde à fisiopatologia típica.
B) Incorreta. Além de indicar acidose em vez de alcalose, a alternativa sugere hipercloremia. Na estenose pilórica, o cloro é perdido com o HCl gástrico e tende a estar reduzido.
C) Correta (gabarito). A perda repetida de HCl gera exatamente a combinação clássica de alcalose metabólica hipoclorêmica, frequentemente acompanhada de hipocalemia.
D) Incorreta. A alcalose está correta, mas o cloro não. A depleção de HCl produz hipocloremia, não hipercloremia.